IEA prevê forte superávit de petróleo em 2027 após recuperação do Estreito de Ormuz
jun, 17, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202625
O mercado global de petróleo deverá entrar em um período de forte superávit de oferta em 2027, após se recuperar do fechamento do Estreito de Ormuz, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) em seu relatório mensal divulgado nesta quarta-feira (17 de junho).
Os Estados Unidos anunciaram um acordo provisório para encerrar a guerra com o Irã, que inclui a reabertura do estreito pelo governo iraniano e o fim do bloqueio naval norte-americano ao país, o que pode pôr fim à maior interrupção de fornecimento de petróleo da história.
Segundo a IEA, o conflito bloqueou mais de 14 milhões de barris por dia (bpd) da produção de petróleo do Oriente Médio.
Em sua primeira projeção para 2027, a agência estima que a oferta global aumentará em 8 milhões de bpd, enquanto a demanda crescerá apenas 2 milhões de bpd, provocando um expressivo excedente de oferta.
Um grande superávit em 2027 poderá “proporcionar um alívio bem-vindo ao mercado e uma oportunidade para recompor estoques esgotados ou criar novas reservas estratégicas, à medida que os países revisam suas estratégias e políticas energéticas em resposta à crise”, afirmou a IEA.
Oferta do Oriente Médio já mostra recuperação
Os fluxos pelo Estreito de Ormuz já apresentavam recuperação no início de junho devido ao aumento das operações de transferência de carga entre navios no Golfo de Omã, elevando os embarques totais da região para cerca de 12 milhões de bpd, ante o piso de 9,6 milhões de bpd registrado em maio.
“Se o acordo se mantiver, as exportações e a produção dos países do Golfo deverão se recuperar gradualmente, principalmente porque as exportações de petróleo iraniano poderão ser retomadas integralmente após o fim do bloqueio americano”, afirmou a agência.
Entretanto, restrições políticas e operacionais, incluindo a necessidade de longos trabalhos de desminagem e questões ainda pendentes sobre o trânsito marítimo, representam riscos para essa recuperação.
No geral, a IEA prevê uma queda de 3,9 milhões de bpd na oferta mundial em 2026, uma vez que as perdas no Oriente Médio deverão superar o aumento da produção nas Américas.
As exportações russas de petróleo bruto e derivados permaneceram estáveis em cerca de 7,4 milhões de bpd em maio, apesar dos contínuos ataques de drones ucranianos às refinarias. Segundo a agência, os ataques obrigaram a Rússia a priorizar o abastecimento doméstico e maximizar as exportações de petróleo bruto.
Os preços do petróleo operavam em leve alta nesta quarta-feira, com o Brent cotado a US$ 79,32 por barril às 11h25 GMT, alta de 36 centavos em relação ao fechamento anterior e de 74 centavos frente ao nível observado antes da divulgação do relatório.
Destruição da demanda se espalha
A demanda global por petróleo deverá cair 1,1 milhão de bpd em 2026, segundo a IEA, após uma queda de 5 milhões de bpd entre abril e junho.
A destruição da demanda se espalhou além das regiões inicialmente mais afetadas pela guerra com o Irã, com o consumo de todos os principais combustíveis, especialmente o diesel, apresentando sinais de enfraquecimento em praticamente todas as regiões do mundo.
A agência, contudo, prevê uma rápida recuperação da demanda em 2027, impulsionada pela queda dos preços do petróleo e por uma melhora das perspectivas econômicas.
Em seu próprio relatório mensal, a OPEP reduziu sua projeção de crescimento da demanda mundial em 2026 para 970 mil barris por dia.
Grande superávit se aproxima em 2027
Os números da IEA indicam que a oferta global ficará cerca de 920 mil bpd abaixo da demanda total em 2026, segundo cálculos da Reuters, uma melhora em relação ao déficit de 1,78 milhão de bpd projetado no relatório anterior.
Já para 2027, as estimativas apontam para um superávit de 5,05 milhões de bpd, à medida que o retorno da produção do Oriente Médio supera o crescimento da demanda.
Esse excedente é superior ao superávit de 4,09 milhões de bpd que a IEA havia projetado anteriormente para 2026 em seu relatório de novembro de 2025.
Antes que o mercado volte a apresentar excesso de oferta, porém, os estoques globais podem cair ainda mais e atingir mínimas históricas até o final deste ano, alertou a agência.
Segundo dados preliminares da IEA, os estoques vêm sendo reduzidos a um ritmo de 3,8 milhões de bpd desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, enquanto apenas em maio as retiradas dos estoques chegaram a aproximadamente 4,6 milhões de bpd.
Fonte: Reuters
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