Economia

Impacto da guerra no Irã se aprofunda cada vez mais na economia global

abr, 24, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202617

A economia global enfrenta pressões cada vez mais concretas decorrentes do choque energético provocado pela guerra no Irã, à medida que fábricas lidam com custos de produção em alta e a atividade enfraquece até mesmo no setor de serviços, mostraram importantes pesquisas divulgadas na quinta-feira, 22 de abril.

Embora grande parte da economia mundial tenha demonstrado resiliência diante da maior interrupção no fornecimento de energia dos tempos modernos, os efeitos indiretos do conflito de quase dois meses começam a pressionar a inflação, ao mesmo tempo em que levantam preocupações sobre o abastecimento de alimentos e levam a revisões para baixo nas projeções de crescimento econômico.

Esta semana já registrou uma série de indicadores negativos de confiança de empresas e consumidores, além de perspectivas cautelosas de grandes companhias listadas. Um conjunto amplamente acompanhado de pesquisas da S&P Global com gerentes de compras, divulgado na quinta-feira, apontou para um cenário ainda mais desafiador.

Os dados indicaram que os 21 países da zona do euro estão entre os mais afetados, com o índice preliminar da região caindo de 50,7 em março para 48,6 em abril — nível abaixo de 50 que indica contração da atividade.

O índice de preços de insumos saltou de 68,9 para 76,9, mostrando como as fábricas da zona do euro enfrentam um aumento nos custos de produção. Já o índice do setor de serviços, predominante no bloco, recuou de 50,2 para 47,4, bem abaixo da estimativa de 49,8 em pesquisa da Reuters.

“A zona do euro enfrenta dificuldades econômicas crescentes decorrentes da guerra no Oriente Médio”, afirmou Chris Williamson, economista-chefe da S&P Global. “A escassez cada vez mais disseminada de oferta ameaça reduzir ainda mais o crescimento, ao mesmo tempo em que pressiona os preços para cima nas próximas semanas.”

De forma contraintuitiva, gerentes de compras relataram níveis mais altos de produção no Japão, Índia, Reino Unido e França — efeito que a S&P, em alguns casos, atribuiu à aceleração da produção por parte das empresas diante do receio de maiores interrupções nas cadeias de suprimento.

Isso fez com que o Japão registrasse a maior expansão da produção industrial desde fevereiro de 2014, mesmo com os custos de insumos atingindo o maior ritmo de alta desde o início de 2023.

Se esse movimento de antecipação estiver ocorrendo, ele se assemelha ao observado no início do ano passado, quando empresas aceleraram a produção antes de um aumento nas tarifas comerciais dos Estados Unidos — o que sugere uma possível queda correspondente na atividade posteriormente.

Os dados de PMI também foram consistentes com declarações cautelosas sobre os resultados do primeiro trimestre nesta semana, com empresas como o grupo francês de alimentos Danone e a fabricante de elevadores Otis Worldwide citando interrupções nos embarques relacionadas à guerra.

Tecnologia e finanças entre as exceções

Há, no entanto, algumas exceções claras. O aumento global dos investimentos em inteligência artificial continua beneficiando o setor de tecnologia, enquanto a elevada volatilidade dos mercados globais favorece empresas de negociação financeira.

A Coreia do Sul, por exemplo, registrou seu crescimento mais rápido em quase seis anos no último trimestre, impulsionada por um salto nas exportações de chips, enquanto o setor de tecnologia deve liderar o avanço dos resultados do primeiro trimestre nos Estados Unidos.

A London Stock Exchange Group (LSEG) afirmou anteriormente na quinta-feira que espera crescimento anual de receita próximo ao topo de sua faixa de previsão, após registrar receita recorde no primeiro trimestre, impulsionada pelo aumento das atividades de negociação.

Sem uma perspectiva clara sobre o fim do conflito iniciado por ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o impacto futuro sobre a economia global permanece dependente da duração das interrupções no transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz.

O Fundo Monetário Internacional reduziu na semana passada sua previsão de crescimento global para 3,1% neste ano, mas alertou que o mundo já caminha para um cenário mais adverso — incluindo uma possível recessão caso as interrupções persistam.

Jamie Thompson, chefe de cenários macroeconômicos da Oxford Economics, afirmou que a análise dos impactos duradouros de choques energéticos anteriores — da Guerra do Yom Kippur nos anos 1970 à invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 — mostra efeitos persistentes sobre inflação, investimento e produção de energia por anos.

Segundo ele, uma em cada quatro empresas ouvidas pela Oxford já acredita que as interrupções serão sentidas além do fim deste ano. “Essas evidências destacam o risco de um ajuste abrupto nas expectativas”, concluiu.

Fonte: Reuters

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