Importações caem substancialmente em fevereiro
abr, 20, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202618
Dados recém-divulgados pela equipe de Business Intelligence da Datamar indicam que as importações brasileiras via contêineres iniciaram 2026 em queda. No acumulado entre janeiro e fevereiro, o volume recuou 4% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação apenas entre fevereiro de 2026 e fevereiro do ano anterior, a retração foi ainda mais acentuada, chegando a 6,6%.
A análise por tipo de mercadoria revela um cenário de desaceleração concentrado no segmento industrial. Os plásticos, principal produto importado no período, registraram leve queda de 1,1% na comparação anual. Já categorias diretamente ligadas à atividade produtiva apresentaram retrações mais expressivas, como reatores, caldeiras e máquinas (-13,4%) e equipamentos elétricos, que tiveram uma forte queda de 26%.
Na contramão, veículos e autopeças apresentaram crescimento de 17,9%, indicando que parte da demanda por bens de consumo duráveis segue resiliente, mesmo em um contexto de menor dinamismo industrial.
Do ponto de vista geográfico, os dados mostram uma mudança relevante na origem das importações brasileiras. A China manteve a liderança, com crescimento de 2,7% nos embarques ao Brasil, reforçando seu papel como principal fornecedora de bens, especialmente de consumo e manufaturados leves. Em contraste, países ocidentais registraram forte retração: os Estados Unidos tiveram queda de 31,6% e a Alemanha, de 21,1%, enquanto a Índia apresentou leve recuo de 0,8%.
Esse movimento sugere uma recomposição da pauta de importações brasileira, com perda de participação de fornecedores tradicionais do Ocidente e maior dependência de produtos asiáticos. Ao mesmo tempo, evidencia uma desaceleração do componente industrial da economia brasileira, refletida na menor importação de bens de capital e insumos produtivos.
Por outro lado, o consumo interno segue relativamente aquecido, sustentando a demanda por produtos finais — em grande parte abastecidos pela Ásia. Esse descompasso entre indústria e consumo ajuda a explicar o comportamento recente das importações via contêineres.
O histórico das importações brasileiras desde janeiro de 2023, com base em dados do DataLiner, reforça a tendência de perda de ritmo ao longo de 2026 após um período de maior estabilidade.
Confira a seguir um histórico das importações brasileiras via contêineres a partir de janeiro de 2023. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:
Importações Brasileiras via Contêineres | Jan 2023 a Fev 2026 | TEU
Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)
As exportações via contêineres do Brasil também caíram 4,8% nos dois primeiros meses do ano, em relação ao primeiro bimestre de 2025. Considerando apenas o mês de fevereiro, a queda fica bem menor: -0,3% em relação a fevereiro de 2025.
As carnes foram a mercadoria mais exportada pelo Brasil no acumulado dos dois primeiros meses de 2026, com um volume 8,6% maior que em igual período do ano passado, seguida por madeira, com um volume 11,4% menor e algodão, cujos embarques caíram 6%. Um destaque foi a queda dos embarques de café, chás e mates, de 29,6%.
Em relação aos principais destinos das exportações brasileiras, a China foi o principal parceiro, com um volume 8,3% superior ao de igual período do ano passado, seguido por Estados Unidos, que registrou uma queda de 31,1% nos embarques e México, com um voume 1,5% menor.
Exportações Brasileiras via Contêineres | Jan 2023 a Fev 2026 | TEU
Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)
O comportamento das exportações via contêineres no início de 2026 sugere uma combinação de fatores. De um lado, há sinais de desaceleração em segmentos importantes da pauta exportadora, especialmente em produtos agrícolas específicos e cadeias industriais. De outro, a demanda chinesa segue como principal vetor de sustentação, evitando uma queda mais acentuada no volume total.
Além disso, a diferença entre o resultado acumulado no bimestre e o desempenho mais estável de fevereiro pode indicar uma tendência de acomodação ao longo do trimestre, após um início de ano mais fraco. Ainda assim, o cenário aponta para um comércio exterior mais seletivo, com maior concentração em mercados asiáticos e maior sensibilidade a variações de demanda global.
Perspectivas para 2026
Para o restante de 2026, o cenário das exportações brasileiras via contêineres tende a ser marcado por forças opostas. De um lado, a decisão dos Estados Unidos de reduzir tarifas para produtos brasileiros a partir de 24 de fevereiro abre espaço para uma recuperação gradual dos embarques ao mercado norte-americano, especialmente em segmentos industriais e de maior valor agregado.
De outro, o início do conflito envolvendo o Irã em 28 de fevereiro adiciona um componente relevante de incerteza ao comércio global, com impactos potenciais sobre custos logísticos, seguros marítimos e preços de energia. Esse ambiente tende a favorecer exportadores de commodities, mas pode pressionar cadeias industriais mais sensíveis a custos.
Assim, a expectativa é de um ano volátil, com possível recomposição parcial das exportações para os EUA ao longo dos próximos meses, enquanto a demanda asiática — especialmente chinesa — deve seguir como principal pilar de sustentação, ainda que sob influência das oscilações do cenário geopolítico internacional.
-
Grãos
jul, 17, 2024
0
Como a eleição nos EUA amplia pressão sobre cotações de soja e milho
-
Escalas de Navios
jun, 03, 2020
0
Atracação de navios porta-contêineres nos portos brasileiros cai 5,41% nas últimas quatro semanas
-
Automotivo
set, 08, 2021
0
Produção de veículos em agosto foi 0,3% maior que em julho, mesmo com paralisações de fábrica
-
Outras Cargas
jul, 20, 2021
0
Exportações brasileiras de biscoito crescem 15,2% em volume no primeiro semestre de 2021