Importações de soja da China batem recorde em junho e remodelam disputa entre Brasil e EUA

jul, 14, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202629

As importações de soja da China alcançaram 13,55 milhões de toneladas em junho de 2026, o maior volume já registrado para o mês, impulsionadas pela grande safra brasileira e pela liberação de cargas que estavam atrasadas nos portos chineses.

O recorde é relevante para o agronegócio sul-americano porque a disputa entre Brasil e Estados Unidos pelo fornecimento ao maior comprador mundial de soja pode influenciar os preços internacionais, as margens de exportação e as decisões comerciais em toda a cadeia regional de oleaginosas.

As compras chinesas de soja cresceram 10,5% em relação a junho de 2025 e 14,9% na comparação com maio. No primeiro semestre de 2026, as importações totalizaram 50,15 milhões de toneladas.

O Brasil foi o principal responsável pelo aumento, apoiado por uma grande safra, preços competitivos e forte concentração dos embarques durante a janela de exportação sul-americana. Essa combinação ajudou o país a consolidar sua posição como principal fornecedor da China no período e ampliar sua participação em um dos mercados mais estratégicos para o comércio global de soja.

As exportações brasileiras de soja destinadas a China contraíram 7% no acumulado dos cinco primeiros meses do ano em comparação com o ano anterior. O gráfico abaixo compara os volumes registrados nos últimos anos:

Exportação de Soja | Jan-Mai | 2022 – 2026 | WTMT

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Os Estados Unidos, no entanto, também recuperaram espaço. De janeiro a maio, a China importou 8,38 milhões de toneladas de soja norte-americana após retomar as compras no fim do ano passado. As aquisições da nova safra dos EUA também aumentaram depois que Pequim reafirmou o compromisso de comprar 25 milhões de toneladas por ano até 2028, indicando uma disputa mais acirrada entre fornecedores brasileiros e norte-americanos no segundo semestre.

Para a Argentina, o impacto do aumento das importações chinesas de soja está menos relacionado às vendas diretas do grão e mais ao papel do país como importante exportador de farelo e óleo de soja. A demanda chinesa sustentada pode apoiar os preços internacionais, fortalecer o valor dos derivados da soja e proporcionar condições mais firmes para o complexo agroindustrial argentino.

A tendência também pode afetar as margens de esmagamento, a relação entre os preços da soja disponível e a capacidade de processamento, além das oportunidades de exportação de farelo e óleo.

O cenário ainda apresenta riscos. Se o Brasil mantiver uma oferta abundante e os Estados Unidos acelerarem as vendas, a concorrência poderá limitar uma alta mais expressiva dos preços. Ao mesmo tempo, uma recuperação mais robusta do setor pecuário chinês aumentaria a demanda por farelo de soja e daria suporte adicional às importações.

Para a cadeia da soja argentina, a principal questão é saber se as compras recordes da China manterão o mercado global firme ou se a ampla disponibilidade de soja do Brasil e dos Estados Unidos limitará os preços nos próximos meses.

Fonte: adaptado de AgroLatam

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