Investimentos em portos criam novas perspectivas logísticas para o Nordeste
nov, 12, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202547
Uma série de investimentos públicos e privados previstos para os próximos anos, que podem superar R$ 4 bilhões, deve ampliar a capacidade da infraestrutura portuária no Nordeste, que ganha relevância tanto no escoamento da produção agropecuária quanto no recebimento de cargas para o mercado interno.
Em 2024, os dez portos organizados e 19 terminais de uso privado (TUPs) da região movimentaram 330 milhões de toneladas de mercadorias — alta de 3,52% em relação a 2023, frente a um avanço nacional de 1,32%, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Neste ano, até agosto, o crescimento acumulado é de 1,14%.
Dois fatores sustentam essa expansão. O primeiro é o desempenho econômico da região, que cresce acima da média nacional. A Tendências Consultoria projeta avanço anual de 3,2% no PIB nordestino entre 2027 e 2034, ante 2,3% para o país. O segundo é o papel crescente dos portos do Nordeste no escoamento da safra, tanto da região do Matopiba — que engloba áreas produtoras de grãos do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — quanto do Centro-Oeste, com novos corredores logísticos previstos para entrar em operação nos próximos anos.
“A demanda por serviços de transporte aquaviário no Nordeste é crescente e é urgente ampliar a oferta de capacidade portuária”, afirma Alex Sandro de Ávila, secretário nacional de Portos. Em 2024, o Porto do Itaqui (MA) embarcou 17,8 milhões de toneladas de soja e milho colhidas nessas regiões e recebeu 4 milhões de toneladas de fertilizantes, segundo a Antaq. A carga chega ao porto maranhense por caminhões e, principalmente, pelo corredor ferroviário formado pela Ferrovia Norte-Sul (Tramo Norte) e pela Estrada de Ferro Carajás.
Confira abaixo um histórico da movimentação de cargas no longo curso via Porto do Itaqui. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner e exclui cabotagem, transbordo e outras movimentações internas:
Movimentação de cargas no longo curso via Porto do Itaqui| Jan 2022 a Set 2025 | WTMT
Fonte: DataLiner (Clique aqui para solicitar uma demo)
Novas infraestruturas devem ampliar o transporte de grãos aos portos nordestinos. A Ferrovia Transnordestina, que ligará o Matopiba ao Porto do Pecém (CE), tem previsão de entrar em operação gradualmente entre 2027 e 2028. No fim de outubro, o governo federal lançou o edital para construção do trecho entre Salgueiro (PE) e o Porto de Suape (PE).
Em 2026, o Ministério dos Transportes pretende licitar o corredor ferroviário Leste-Oeste, formado pelas ferrovias de integração Centro-Oeste (Fico) e Oeste-Leste (Fiol), interligando Lucas do Rio Verde (MT) a Ilhéus (BA).
Duas hidrovias também estão nos planos: a do Parnaíba, com 924 km navegáveis entre Uruçuí (PI) e o novo porto do Piauí, em Luís Correia; e a Hidrovia do Rio São Francisco, com 1.371 km entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), cuja licitação está prevista para o fim de 2026. Essa hidrovia deverá se conectar à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) em Juazeiro e à Fiol em Cariacá (BA), podendo alcançar os portos de Ilhéus ou Aratu com um novo trecho ferroviário partindo de Jequié (BA).
O Nordeste vive um momento de expansão no transporte marítimo. Estão previstos R$ 350 milhões da União em obras como dragagens nos portos de Suape (PE), Recife (PE) e Natal (RN). Outros R$ 184,75 milhões já foram contratados em 11 leilões de terminais desde 2023, incluindo terminais de granéis sólidos e líquidos em Recife e Maceió, e terminais de passageiros em Maceió e Fortaleza (CE).
Até o fim de 2026, estão previstos leilões que devem atrair R$ 647,25 milhões em investimentos. Serão ofertados dois terminais de granéis sólidos (em Itaqui-MA e Natal-RN), um de contêineres em Fortaleza e um terminal de passageiros no Recife.
Entre os investimentos privados, destaca-se o projeto da APM Terminals, subsidiária da Maersk, que aplicará R$ 1,6 bilhão em um novo terminal em Suape com capacidade para 400 mil TEUs por ano, previsto para 2026. Já o Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), em Itaqui, receberá R$ 1,16 bilhão para expansão, elevando sua capacidade anual de 15 milhões para 23,5 milhões de toneladas.
Segundo o operador portuário Admar Pereira, da Ziran Logística, esse investimento ajudará a reduzir as filas de navios para atracação, que chegam a 35 dias durante o escoamento da safra. “Cada navio parado representa um custo de US$ 30 mil a US$ 40 mil por dia”, afirma.
Para Maurício Laranjeira, gerente de políticas industriais da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), o novo terminal de contêineres em Suape deve atrair novas linhas marítimas e diversificar rotas de transporte, especialmente com os Estados Unidos e a Ásia. “É mais oportunidade de mercado para a economia pernambucana”, diz.
O volume de investimentos pode ser ainda maior caso o Ministério de Portos e Aeroportos avance com o plano de expansão do porto de Aratu-Candeias (BA), por meio de uma concessão no modelo Landlord Port, no qual o Estado mantém a propriedade do terreno e da infraestrutura básica, enquanto um agente privado viabiliza o desenvolvimento de novas áreas, cais e terminais.
“O projeto está em fase final de elaboração e será encaminhado ao Tribunal de Contas da União no primeiro semestre de 2026”, afirma Ávila. A expectativa é realizar o leilão no próximo ano, com contratos de concessão de até 70 anos.
“Aratu e Itaqui são os portos com maior disponibilidade de áreas para projetos greenfield e terão papel importante na expansão da infraestrutura portuária do Nordeste”, complementa o secretário.
Carlos Henrique Passos, presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), avalia que os portos nordestinos têm boa estrutura e grande potencial de expansão, mas enfrentam gargalos de acesso terrestre. “Falta conectividade intermodal”, diz.
O setor produtivo reivindica a modernização e duplicação das BRs 101 e 116, que atendem a maioria dos portos da região, e a revitalização de malhas ferroviárias existentes, como a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), que liga Belo Horizonte a Aratu e opera com velocidade média de 11 km/h, e a Transnordestina Logística (FTL), que interliga os portos de Itaqui, Pecém e Fortaleza, passando por Teresina (PI), com trens que circulam a cerca de 7 km/h, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Fonte: Valor Econômico
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