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Irã afirma manter controle do Estreito de Ormuz após EUA suspenderem bombardeios

jul, 27, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202631

O Irã afirmou nesta segunda-feira (27) que continua no controle do Estreito de Ormuz e não pretende retomar negociações de paz com os Estados Unidos, após o presidente Donald Trump suspender uma campanha de bombardeios que durou duas semanas e que, segundo os principais comandantes militares americanos, havia chegado ao seu limite operacional.

Após 13 noites consecutivas de ataques cada vez mais intensos, que levaram Teerã a responder com disparos contra bases americanas, Trump interrompeu a campanha no fim de semana. O Irã informou que também suspenderá seus ataques enquanto durar a pausa dos Estados Unidos.

O fim da campanha militar americana fez os preços do petróleo despencarem, diante da expectativa de que o fluxo global de oferta volte a se normalizar. O Brent, que na semana passada ultrapassou brevemente US$ 100 por barril pela primeira vez desde maio, caiu mais de 8% na manhã desta segunda-feira, para pouco menos de US$ 89.

Apesar disso, surgiram sinais de que Teerã pode estar testando o novo cessar-fogo. A Jordânia informou ter abatido dois drones, enquanto fontes de segurança do Iraque disseram que drones atingiram uma base de combatentes da oposição curda iraniana no norte do país. Não houve relatos de vítimas em nenhum dos casos.

Segundo uma autoridade americana e diversos veículos de imprensa dos Estados Unidos, a decisão de Trump de suspender a campanha refletiu a avaliação dos militares de que os bombardeios, destinados a enfraquecer o controle iraniano sobre o estreito, haviam atingido o limite do que poderiam alcançar.

A autoridade afirmou à Reuters que os comandantes militares alertaram o presidente de que estavam ficando sem alvos. O chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, também teria manifestado preocupação com o esgotamento dos estoques de munições de defesa aérea.

Irã nega pedido para retomar negociações

O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, afirmou no domingo que Trump suspendeu a campanha para abrir espaço para negociações. Trump, o secretário de Estado Marco Rubio e outras autoridades americanas disseram que o Irã estaria “implorando por um acordo”.

No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou em entrevista coletiva transmitida pela televisão nesta segunda-feira que o país não pediu a retomada das negociações de paz com Washington.

Segundo ele, mensagens continuam sendo trocadas entre os dois lados por meio de mediadores e o Irã não abandonou a diplomacia, mas “as notícias de que o Irã solicitou negociações com os Estados Unidos são fabricadas”. “Isso não faz parte do nosso DNA”, declarou.

Teerã também sinalizou que continua exercendo controle sobre a mais importante via marítima para o mercado global de energia.

 Mídia iraniana diz que seis navios foram obrigados a retornar

Diversos veículos estatais iranianos citaram uma “fonte informada” afirmando que o Irã obrigou seis “navios infratores” a retornarem na manhã desta segunda-feira após tentarem atravessar o Estreito de Ormuz sem autorização. Segundo a fonte, uma das embarcações sofreu “um acidente”.

“Como anunciado anteriormente, a rota de navegação no Estreito de Ormuz é a rota definida pelo Irã. As demais rotas estão contaminadas e não oferecem saída”, informou a mídia estatal citando a fonte.

Trump iniciou a nova campanha de bombardeios após o Irã atacar embarcações que utilizavam uma rota pelo estreito promovida pelos Estados Unidos, que orientaram os navios a navegarem próximos à costa de Omã.

O Irã afirma que as embarcações só podem transitar por um canal mais próximo de seu litoral, área sob seu controle, onde pretende cobrar tarifas de passagem.

As duas semanas de bombardeios americanos deixaram dezenas de mortos no Irã e destruíram pontes, túneis e alvos militares no sul do país. Em resposta, ataques iranianos contra bases americanas em países árabes vizinhos mataram quatro militares dos Estados Unidos. O Irã também atingiu infraestrutura civil em países do Golfo, alegando retaliar ataques americanos contra alvos civis.

Na semana passada, os houthis, aliados do Irã, ameaçaram ampliar a interrupção das exportações globais de petróleo ao anunciar um bloqueio à indústria petrolífera da Arábia Saudita no Mar Vermelho, impulsionando ainda mais os preços do petróleo.

A suspensão da campanha de bombardeios dos Estados Unidos não deixa claro qual será a capacidade de Washington de pressionar Teerã para atingir o objetivo de Trump de reduzir o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz.

Estados Unidos e Irã chegaram, em junho, a um entendimento para estabelecer um marco de negociações que deveria ser concluído até o fim de agosto, abordando temas como o programa nuclear iraniano.

Entretanto, os dois países divergem sobre a interpretação do memorando referente ao Estreito de Ormuz. Washington afirma que o texto exige liberdade de navegação, enquanto Teerã sustenta que o acordo lhe concede autoridade para supervisionar o trânsito marítimo.

O Irã também busca formalizar seu controle sobre o estreito por meio de um acordo com Omã, que controla a margem oposta da passagem. Uma delegação de alto nível de Omã esteve em Teerã durante o fim de semana para discutir o tema, e Baghaei afirmou que as conversas foram positivas.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que iniciou a guerra ao lado de Trump em fevereiro, mas não participa das negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrá-la, deve se reunir com o presidente americano em Washington no início desta semana.

Fonte: Reuters

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