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Irã afirma que navios ‘não hostis’ podem cruzar Estreito de Ormu

mar, 25, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202613

O Irã enviou uma carta aos países membros da Organização Marítima Internacional (IMO) informando que “embarcações não hostis” podem transitar pelo Estreito de Ormuz “em coordenação com as autoridades iranianas”.

Na carta, distribuída entre os membros da IMO nesta terça-feira (24) e compartilhada com o Financial Times, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que Teerã adotou “medidas necessárias e proporcionais para impedir que agressores e seus apoiadores explorem o Estreito de Ormuz para avançar operações hostis contra o Irã”.

A via marítima estratégica está, na prática, fechada para quase todas as embarcações desde o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. Antes disso, cerca de um quinto do petróleo mundial passava pelo estreito, além da maior parte das cargas e navios porta-contêineres que abastecem os países do Golfo Pérsico.

Cerca de 3.200 embarcações estão retidas no Golfo, evitando o risco de atravessar o estreito, que tem apenas 21 milhas náuticas em seu ponto mais estreito. Pelo menos 22 navios foram atingidos pelo Irã desde o início do conflito.

A IMO, órgão das Nações Unidas responsável por estabelecer normas internacionais para o transporte marítimo, realizou uma reunião emergencial de seus membros na semana passada para tratar da crise. A entidade negocia a criação de um corredor humanitário para permitir que embarcações com suprimentos em níveis críticos deixem o Golfo.

Nos últimos dias, dados de rastreamento marítimo indicam que o Irã tem permitido a passagem de um número limitado de navios por uma rota dentro de suas águas territoriais. Analistas avaliam que esse trajeto possibilita às autoridades iranianas verificar a identidade das embarcações antes de autorizar o trânsito.

Alguns navios chegaram a pagar até US$ 2 milhões ao Irã para garantir passagem segura pelo Golfo, segundo a Lloyd’s List Intelligence e uma fonte com conhecimento da situação.

“Todos os governos deveriam agir e tentar ajudar a resolver essa situação”, afirmou SV Anchan, diretor-executivo da Safesea Group, sediada nos EUA, cujo navio Safesea Vishnu foi atacado em 11 de março e agora é considerado irrecuperável. Teerã afirmou na carta que embarcações ligadas aos Estados Unidos e a Israel, assim como “outros participantes da agressão”, não se qualificam para passagem inocente ou não hostil.

Não há sinais de que o Irã pretenda abrir mão de sua influência sobre a via marítima, apesar das ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump. Autoridades e políticos iranianos indicaram que não haverá retorno ao cenário pré-guerra no Estreito de Ormuz, mesmo que o conflito atual chegue ao fim.

O parlamento iraniano prepara a introdução de novas regras para o tráfego no estreito, segundo o deputado Mansour Alimardani. A proposta ainda está em estágio inicial e precisa passar pela análise do departamento jurídico antes de ser apresentada aos parlamentares. Em seguida, dependerá de aprovação por maioria para se tornar lei.

“O Irã sempre adotou uma política de cooperação internacional no Estreito de Ormuz, mas a crescente pressão de sanções ilegais levou a República Islâmica a restringir temporariamente o tráfego de cargas para demonstrar sua capacidade de gerenciar o trânsito global de energia”, afirmou Alimardani à agência Mehr, em Teerã.

Ele explicou que o plano tem dois objetivos: “primeiro, responder às ações de países que apoiaram as sanções dos EUA contra o Irã; e, segundo, transferir transações do dólar americano para moedas alternativas”.

Imagem gerada por Inteligência Artificial

Fonte: Valor Econômico

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