Grãos

Irã compra mais do agro brasileiro mesmo com guerra

maio, 19, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202621

Apesar da guerra e do fechamento parcial do Estreito de Ormuz, as exportações do Brasil aos países do Golfo Pérsico, entre janeiro e abril, atingiram US$ 4,13 bilhões e superaram ligeiramente o registrado no mesmo período do ano passado, quando somaram US$ 4,12 bilhões.

O número de janeiro e abril é o segundo melhor pelo menos desde 1997, atrás apenas de 2024. O ano de 1997 marca o início da série com dados do comércio exterior do Brasil, disponível na plataforma Comexstat do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O resultado se deve principalmente às exportações feitas em janeiro e fevereiro. A guerra dos EUA e de Israel contra o Irã começou em 28 de fevereiro e fez as vendas do Brasil – e dos demais países que são fornecedores do golfo – afundarem em março e em abril.

Houve, no entanto, uma exceção: em abril as vendas do Brasil ao Irã recuperaram a força e chegaram a US$ 346,1 milhões, uma alta de 86% sobre os US$ 185,7 milhões de um ano antes.

Em 2025, o Irã foi o maior comprador de milho em grão do Brasil. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), neste ano, até abril, o volume embarcado ao Irã é quase igual ao do mesmo período de 2025, cerca de 2,4 milhões de toneladas.

Entre os produtos brasileiros mais comprados pelo Irã no 1º tri de 2026 estão soja, o milho e farelo de soja. Confira a fatia de participação de desses produtos, segundos os dados de movimentação de cargas marítimas da Datamar:

Principais Produtos Exportados ao Irã | 1º tri 2026 | WTMT

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Nos primeiros quatro meses, os Emirados foram o destino número 1 das exportações brasileiras para o golfo (US$ 1,28 bilhão); o Irã foi segundo maior destino (US$ 912,06 milhões).

Uma avaliação de quem acompanha o comércio na região é que mesmo se Ormuz seguir fechado as importações da região – especialmente de itens para alimentação humana ou ração – vão se adaptar e retomar algum fôlego. Mas por outros caminhos.

“Eles têm outras rotas. Rotas terrestres que vêm via Azerbaijão e via Turcomenistão. Também reativaram pelos menos dez rotas terrestres, principalmente, rodoviárias, pelo Paquistão. E tem também os trens de carga que vêm da China”, disse ao Valor o embaixador do Brasil no Irã, André Veras.

Segundo a Anec, o porto iraniano Imam Khomeini, perto da fronteira com o Iraque, vinha sendo a referência para desembarque de grãos. Bandar Abbas, no Estreito de Ormuz, era também muito usado. Agora, o porto estratégico é o de Chabahar, fora do estreito e do golfo.

Transportar por estradas ou trens o que antes chegava em navios é mais custoso. Mas é a opção que restou à região. Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, também fala da relevância das rotas alternativas para manter o comércio em pé.

“O fluxo nos portos na costa oeste da Arábia Saudita, entre eles o porto de Jaeddah, aumentou. De lá, as cargas seguem de caminhão para os outros destinos do golfo. Parte das cargas vai até Damman, e de lá segue de caminhão ou de navio para outros pontos”, diz ele.

O Estreito de Ormuz fica ao sul de Dammam, o que permite aos transportadores driblarem as restrições logísticas.

Fonte: Valor Econômico

Sharing is caring!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


O período de verificação do reCAPTCHA expirou. Por favor, recarregue a página.