Irã quer controlar entrada de navios no Estreito de Ormuz, diz fonte
ago, 04, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202632
O Irã quer ter controle sobre os navios que entram no Estreito de Ormuz e acompanhar de perto as embarcações que deixam a região, com poder de intervenção se considerar necessário, segundo uma fonte iraniana ouvida pela Reuters nesta terça-feira (4).
A proposta faz parte de um plano temporário discutido com Omã para tentar reabrir a passagem, considerada uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.
A fonte, que participa das negociações, disse que essa é “a ideia geral atualmente em discussão”. Pelo plano, os navios que saíssem do Golfo seguiriam por uma rota entre o Irã e Omã. A autorização formal para a saída seria dada por Omã, mas somente depois de o Irã ser informado.
“É improvável que Teerã mude sua posição”, afirmou a fonte. Segundo ela, o Irã já fez uma concessão ao deixar de exigir controle total sobre o tráfego nos dois sentidos do estreito.
No mês passado, Teerã rejeitou uma proposta de Omã que previa uma divisão igualitária das rotas de navegação entre os dois países. O governo iraniano argumentou que a proposta não atendia às suas preocupações de segurança enquanto não houver estabilidade regional de longo prazo.
O controle do Estreito de Ormuz virou um dos principais impasses nas negociações para encerrar a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. A passagem liga o Golfo ao Oceano Índico e é usada no transporte de cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, além de outras cargas essenciais.
O estreito está em grande parte bloqueado desde o início da guerra, no fim de fevereiro. A disputa agora gira em torno de quem terá autoridade para liberar, monitorar ou restringir o tráfego marítimo pela rota.
Washington afirma que o memorando de entendimento assinado com Teerã em junho, para interromper o conflito, obrigava o Irã a reabrir Ormuz. O governo iraniano, por outro lado, diz que o texto preservava expressamente sua autoridade sobre a navegação no estreito.
Antes da guerra, os navios atravessavam livremente a passagem. Embora o Estreito de Ormuz esteja dentro das águas territoriais do Irã e de Omã, ele é geralmente tratado como uma via marítima internacional.
O sistema atual de navegação, com faixas separadas para entrada e saída de embarcações, foi adotado em 1968 pela agência marítima da ONU, com aval dos países da região. Esse modelo dividiu os corredores de tráfego entre águas iranianas e omanenses.
Com 34 quilômetros de largura, o Estreito de Ormuz é uma das principais rotas de escoamento de petróleo e gás do Oriente Médio. A passagem também é importante para o transporte de outras cargas essenciais, como fertilizantes.
Fonte: Reuters
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