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Irã se torna maior comprador do Brasil no Oriente Médio

jul, 15, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202629

A retomada dos ataques dos EUA e do Irã na região do Golfo Pérsico e as novas incertezas sobre o trânsito de cargueiros pelo Estreito de Ormuz vêm em um momento em que exportadores do Brasil ampliam suas vendas para o mercado iraniano.

Em junho, o Irã foi o maior comprador de produtos do Brasil entre os oito países do Golfo — grupo composto também por Arábia Saudita, Barein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Omã.

Enquanto as vendas brasileiras para o Irã somaram US$ 129,9 milhões em junho de 2025, as vendas de junho deste ano atingiram US$ 311,6 milhões, alta de 140%.

Na comparação entre o primeiro semestre de 2025 e o primeiro semestre deste ano, também houve aumento: de US$ 1,15 bilhão para US$ 1,33 bilhão. Os iranianos têm comprado soja, farelo de soja, milho em grão e frango do Brasil.

Segundo os dados da Datamar, o produto mais exportado pelo Brasil ao Irã nos primeiros cinco meses de 2026 foi a soja, apesar de registrar decréscimo de 16%. Compare os volumes registrados no mesmo período nos últimos anos:

Exportação de Soja ao Irã | Jan-Mai | 2023 – 2026 | WTMT

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

A marca de junho foi a melhor para o mês desde 2022, e o resultado do primeiro semestre foi o melhor desde o primeiro semestre de 2024. Com mais de 90 milhões de habitantes, o Irã vem sendo há anos um mercado importante para produtos brasileiros. Mas os maiores compradores de itens do Brasil na região têm sido os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita.

Em 2026, o Irã figurou como destino número 1 das exportações brasileiras em abril e novamente em junho. A questão é o que acontecerá a partir de agora. Os ataques americanos contra alvos no Irã se intensificaram nos últimos dias, assim como ataques iranianos contra alvos de interesse dos EUA em países do Golfo Pérsico.

Navios que navegavam pelo Estreito de Ormuz também foram atacados por forças do Irã, que disseram que fechariam novamente a passagem. Os EUA reagiram, afirmando que garantiriam a segurança dos cargueiros. Donald Trump chegou a falar em cobrar um pedágio de 20% do valor da carga, mas recuou.

Cargas que estão começando a ser negociadas agora para serem entregues em setembro ou outubro ao Irã ou a outros países do Golfo vão desembarcar em que portos? Quais estarão seguros? Os fretes e os seguros marítimos vão subir mais à medida que a guerra — real e retórica — se intensifica? É possível garantir que alimentos do Brasil, voltados ao consumo humano e animal no Irã, tenham trânsito livre pelo Estreito de Ormuz mesmo nessa nova fase da guerra?

Jean Carlos Budziak, responsável pela área de inteligência de mercado da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec), nota que é a partir de julho que começam as exportações brasileiras de milho de segunda safra. O fato de EUA e Irã retomarem as disputas justamente neste momento alimenta incertezas sobre as exportações.

O momento é de expectativas. “Eu presumo que essas vendas não vão deixar de acontecer”, diz ele, lembrando que produtos brasileiros ligados à nutrição tendem a não ser afetados.

Desde o início da guerra, os volumes de alguns alimentos, seja para consumo humano ou animal, ficaram no mesmo patamar em relação ao mesmo período do ano passado.

Um dos itens disparou nos volumes comercializados para o Irã. “O que aumentou muito entre o primeiro semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026 foram as vendas do farelo de soja do Brasil, que cresceram cinco vezes”, apontou Budziak.

O farelo é usado como ração para gado e criações de frango no Irã. Uma possível explicação para o aumento é a necessidade de um país em guerra, que precisa encurtar processos produtivos, preferir farelo, já processado, à soja e ao milho, que ainda precisam ser processados.

Enquanto EUA e Irã deixam em suspenso o futuro geopolítico no Golfo, empresas que exportam produtos do Brasil para iranianos e outros mercados da região fazem os cálculos sobre o ritmo dos negócios.

Budziak repete uma avaliação comum entre exportadores agrícolas brasileiros: “Mesmo com a guerra, os países da região continuarão demandando alimentos”.

Fonte: Valor Econômico

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