Japão considera criação de “estaleiro nacional” para revitalizar setor de construção naval
jun, 20, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202525
O governo japonês e o governista Partido Liberal Democrata (PLD) estão elaborando políticas para revitalizar a indústria de construção naval do país, incluindo um plano para o governo construir ou reabilitar estaleiros.
A proposta foi entregue ao primeiro-ministro Shigeru Ishiba na sexta-feira pela Sede para Promoção da Segurança Econômica do PLD, presidida por Takayuki Kobayashi — deputado e ex-ministro da Segurança Econômica. O texto recomenda que até o outono seja elaborado um plano detalhado, com medidas específicas de apoio, cronograma de implementação e estimativas de investimento dos setores público e privado.
O presidente dos EUA, Donald Trump, tem defendido a revitalização da indústria naval americana como resposta ao crescimento da presença naval chinesa e como parte de uma estratégia de fortalecimento da indústria doméstica. O Japão, por sua vez, propôs a cooperação em construção naval como moeda de troca nas negociações em torno das tarifas comerciais impostas por Trump.
“Revitalizar a indústria naval é fundamental para a nossa segurança econômica”, declarou o ministro da Segurança Econômica, Minoru Kiuchi, em coletiva na sexta-feira. “Trabalharemos com o Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo para fortalecer as cadeias de suprimento e garantir uma oferta estável de embarcações.”
A iniciativa deve demandar cerca de 1 trilhão de ienes (US$ 6,9 bilhões) em investimentos públicos e privados, e o governo estuda criar um fundo voltado a investimentos de capital. Esse fundo poderá ser incluído no orçamento suplementar do ano fiscal de 2025, previsto para ser finalizado já neste outono.
A proposta também visa enfrentar a escassez de mão de obra no setor naval.
Segundo o Ministério dos Transportes, o número de trabalhadores na construção naval japonesa — incluindo estrangeiros — caiu mais de 10 mil em relação a cinco anos atrás, totalizando cerca de 71 mil em 2024. O governo planeja criar centros de treinamento em regiões litorâneas com forte presença da indústria e pode ampliar a entrada de trabalhadores estrangeiros e programas técnicos de capacitação.
O Japão depende do transporte marítimo para 99% do seu volume de comércio exterior. No entanto, a indústria nacional de construção naval tem perdido capacidade produtiva devido à escassez de trabalhadores e à infraestrutura envelhecida, o que resultou em perda de participação de mercado para concorrentes da China e da Coreia do Sul.
O volume de produção naval do Japão caiu 31% em cinco anos, chegando a 10,05 milhões de toneladas brutas em 2023. Enquanto isso, China e Coreia do Sul aumentaram sua produção em cerca de 30% cada, alcançando 31,48 milhões e 18,35 milhões de toneladas brutas, respectivamente. O número de instalações navais — incluindo diques e rampas — caiu de 194 em 2018 para 178 em 2024.
Kobayashi, ex-ministro da Segurança Econômica e autor da proposta, destacou a importância da cooperação entre os setores público e privado para implementar políticas estratégicas e estimular investimentos. “Nosso objetivo é reconstruir a indústria marítima japonesa para que o país possa transportar seus próprios produtos, sem depender excessivamente de outros países”, afirmou.
O eixo central da proposta do PLD é o conceito de “estaleiro nacional”, segundo o qual o governo lideraria a construção e aparelhamento de estaleiros.
A ideia é que o governo construa ou adquira instalações navais e repasse sua operação à iniciativa privada, com base nas leis já existentes de segurança econômica — a Lei de Reforço da Produção e das Bases Tecnológicas de Defesa e a Lei de Promoção da Segurança Nacional por Meio da Implementação Integrada de Medidas Econômicas.
A proposta também sugere que cascos de embarcações sejam designados como “produtos críticos específicos”, o que permitiria que navios civis e militares fossem elegíveis para apoio financeiro por serem considerados bens de suprimento essencial, contribuindo para o fortalecimento das cadeias de suprimento.
Fonte: Nikkei Asia
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