Port of Long Beach
Navegação

Long Beach é escolhida como plataforma de testes dos EUA para navegação movida a energia nuclear

jul, 23, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202630

A Administração Marítima dos Estados Unidos (MARAD) deverá assinar, nesta quarta-feira, em Washington, um acordo histórico com o Porto de Long Beach para estudar o uso de pequenos reatores modulares (SMRs, na sigla em inglês) em navios comerciais e outras aplicações portuárias, levando a propulsão nuclear para o centro do debate sobre o futuro da navegação.

O acordo será o primeiro desse tipo entre a MARAD e um porto norte-americano. A iniciativa avaliará como a tecnologia de pequenos reatores modulares poderá ser testada e integrada a embarcações, terminais portuários e ao sistema de transporte marítimo de forma mais ampla.

O projeto faz parte dos esforços do governo Donald Trump para reconstruir a capacidade marítima e da indústria naval dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que busca reduzir a dependência dos combustíveis marítimos convencionais.

A MARAD lançou, em maio, um programa mais amplo voltado aos pequenos reatores modulares, solicitando propostas para um sistema desenvolvido nos Estados Unidos que possa ser ampliado para frotas comerciais e para a infraestrutura logística de apoio. A agência afirmou que pretende tratar a propulsão nuclear como uma infraestrutura comercial, e não apenas como uma demonstração tecnológica pontual.

“Sob a liderança do presidente Trump, os Estados Unidos estão retomando seu devido lugar como uma potência marítima global”, afirmou o secretário de Transportes, Sean Duffy, ao anunciar a iniciativa.

“Ao trabalhar em parceria com especialistas da indústria e pensadores inovadores para desenvolver um modelo sólido de SMR, forneceremos uma fonte de energia de última geração que reduzirá custos e fortalecerá a segurança nacional”, acrescentou.

Os pequenos reatores modulares vêm sendo promovidos como uma fonte confiável de energia de alta potência, capaz de permitir que navios comerciais naveguem por distâncias maiores sem a necessidade de reabastecimento convencional de combustível marítimo (bunker). Defensores da tecnologia argumentam que os longos ciclos de combustível dos reatores podem reduzir a exposição às oscilações dos preços dos combustíveis e eliminar as emissões operacionais de gases de efeito estufa.

Entretanto, qualquer implantação comercial exigirá um amplo novo arcabouço regulatório e operacional.

O pedido de contribuições da MARAD ao setor contempla aspectos como projeto dos reatores e das embarcações, aceitação pelos portos, segurança, treinamento de tripulações, inspeções, responsabilidade civil, seguros e integração com as regulamentações internacionais. A agência trabalha em conjunto com a Guarda Costeira dos Estados Unidos (US Coast Guard), a Comissão Reguladora Nuclear (Nuclear Regulatory Commission) e o Departamento de Energia.

O administrador da MARAD, Stephen Carmel, afirmou que a tecnologia deve ser encarada como uma transformação de todo o sistema marítimo, e não apenas como um experimento aplicado a embarcações.

Dessa forma, o acordo com Long Beach poderá testar muito mais do que a propulsão naval. Entre as aplicações portuárias em estudo estão a geração de energia em terra e o fornecimento de energia resiliente para equipamentos de movimentação de cargas e infraestrutura dos terminais.

O projeto ainda está em fase exploratória e, até o momento, não foram anunciados o modelo do reator, as embarcações que participarão dos testes nem um cronograma para eventual implementação.

Fonte: Splash247

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