Maersk testou ‘com sucesso’ navio movido 100% a etanol
maio, 08, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202619
A dinamarquesa Maersk, maior armadora do mundo, realizou a primeira navegação de um navio movido 100% a etanol. A operação foi realizada no primeiro trimestre, com sucesso, informou a companhia no comunicado com comentários sobre seus resultados financeiros do período.
A Maersk começou a testar no ano passado misturas de etanol a metanol em seus navios bicombustíveis — que podem operar tanto com bunker, que é o óleo combustível derivado de petróleo, como com metanol ou etanol. Os primeiros testes foram realizados com 10% de etanol no metanol, e depois com 50% cada.
Segundo a companhia, os testes “confirmaram que o etanol pode ser integrado de forma segura e efetiva ao mix de combustíveis”. “A oferta de etanol oferece outra opção de combustível escalável e de baixa emissão para a descarbonização, e o teste com sucesso usando 100% de etanol marca o potencial para criar uma opcionalidade para a frota bicombutível a metanol da Maersk”, afirmou a empresa, no comunicado.
Os armadores terão que neutralizar todas as suas emissões de gases de efeito estufa até 2050, de acordo com uma norma da Organização Marítima Internacional (IMO), sendo que até 2030 a redução já terá que ser de ao menos 20%. O transporte marítimo responde atualmente por algo entre 2% e 3% de todas as emissões globais de gases-estufa.
A Maersk, porém, estabeleceu uma meta própria de redução de emissões, e se comprometeu publicamente a alcançar a neutralidade em carbono uma década antes, em 2040. Para isso, a companhia vem explorando opções de combustíveis renováveis, como bio e e-metanol e biodiesel, além do etanol. A companhia realizou uma primeira encomenda de 45 navios bicombustíveis, dos quais 14 já estão em operação.
Outras companhias de navios também estão apostando em outras opções de combustíveis renováveis, como o gás natural liquefeito (GNL) e a amônia.
Estima-se que, se a indústria de navegação usar apenas 10% de etanol em seus navios, o biocombustível veria surgir uma demanda de 50 bilhões de litros ao ano — volume que supera todo o volume de produção atual do Brasil, mesmo com a crescente oferta do etanol de milho.
Os principais fornecedores globais de etanol para a indústria de transporte marítimo são os Estados Unidos e o Brasil, que respondem por 80% da produção global do biocombustível.
Um dos desafios para o uso do etanol do Brasil pelos armadores é a falta de infraestrutura no país para abastecer os navios na costa brasileira, o que exigiria o transporte do biocombustível até portos onde o abastecimento possa ocorrer — o que anularia parte do efeito de redução de emissões, já que seria gasto combustível apenas para levar o etanol brasileiro para outro porto. Nos testes realizados pela Maersk, cargas de etanol brasileiro foram levadas até o Porto de Amsterdã, onde então abasteceram o tanque do navio Laura Mærsk.
Uma das maiores preocupações do setor naval é com a origem dos combustíveis alternativos. No caso do etanol brasileiro, o receio é que a demanda adicional criada pelos armadores, na cas dos bilhões de litros, tenha algum impacto no aumento do desmatamento no país — ainda que ocorra legalmente.
Fonte: Valor Econômico
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