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Maersk: volatilidade logística se torna desafio estrutural para a América Latina em 2026

jan, 08, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202602

A volatilidade passou a ser uma característica definidora da logística em toda a América Latina com o início de 2026, remodelando o planejamento das cadeias de suprimentos e as estratégias operacionais em toda a região. De acordo com o Maersk Latin America Market Update – janeiro de 2026, o que antes era tratado como uma disrupção temporária agora se consolida como uma condição estrutural, impulsionada por tensões geopolíticas, incertezas macroeconômicas e ambientes regulatórios cada vez mais complexos.

Para exportadores, importadores e operadores logísticos, as decisões relacionadas a transporte e distribuição vão muito além dos fretes. Confiabilidade do serviço, exposição de estoques e continuidade dos negócios passaram ao centro do planejamento estratégico, reforçando a necessidade de redes logísticas mais resilientes e integradas em toda a América Latina.

Tensões do comércio global se traduzem em impactos logísticos locais

O relatório destaca que mudanças na dinâmica do comércio global estão gerando consequências imediatas para as cadeias de suprimentos latino-americanas. Novas medidas tarifárias entre grandes economias, disrupções climáticas — como secas que afetam o Canal do Panamá — e mudanças regulatórias em mercados-chave, como a União Europeia, estão resultando em tempos de trânsito mais longos, ajustes de rotas e maior volatilidade de custos.

A forte exposição da América Latina ao comércio internacional, combinada com restrições de infraestrutura que limitam a flexibilidade no curto prazo, tende a amplificar esses efeitos. Quando corredores marítimos estratégicos são interrompidos ou regras comerciais mudam, as cadeias regionais costumam sentir o impacto por períodos mais prolongados, com menos alternativas de roteamento disponíveis.

Ao mesmo tempo, tendências estruturais estão redesenhando os fluxos comerciais. O nearshoring e a regionalização seguem ganhando tração, especialmente na América Central, onde os investimentos em manufatura estão acelerando e as exportações para os Estados Unidos devem crescer. Grandes economias como Brasil e Chile estão diversificando tanto produtos quanto destinos, enquanto o mercado de e-commerce da região deve ultrapassar US$ 200 bilhões até 2026, aumentando a pressão sobre portos, alfândegas e a logística terrestre.

Integração ponta a ponta ganha força

Segundo a Maersk, a complexidade operacional permanece como um desafio central na América Latina, moldada por longas distâncias internas, restrições de capacidade nos portos e níveis desiguais de maturidade digital nos ecossistemas logísticos. Cadeias fragmentadas, com múltiplos prestadores cuidando de diferentes etapas, podem atrasar respostas justamente quando velocidade e coordenação são mais críticas.

Como resultado, as empresas vêm buscando cada vez mais a integração logística ponta a ponta. Ao consolidar fornecedores e utilizar plataformas digitais, os embarcadores estão melhorando a visibilidade, reduzindo riscos de transbordo e fortalecendo o controle sobre os fluxos de carga. Tecnologias como rastreamento em tempo real, análises preditivas e ferramentas de decisão baseadas em IA permitem respostas mais rápidas às disrupções e um planejamento mais proativo.

Estratégias de multi-sourcing, posicionamento descentralizado de estoques e o uso de gêmeos digitais e dispositivos IoT em armazéns também estão ganhando espaço, ajudando as empresas a reduzir a exposição a riscos enquanto melhoram eficiência e níveis de serviço.

Ajustes na rede marítima e condições portuárias

No transporte marítimo, a Maersk relata ajustes contínuos na rede em resposta às condições de mercado. Na rota Costa Leste da América do Sul para Intra-Américas, a suspensão das escalas em Norfolk no serviço TANGO foi estendida, com as cargas sendo atendidas via transbordo em Cartagena. As escalas semanais no Rio de Janeiro foram retomadas, melhorando a conectividade regional.

O ECSA Shuttle, operando com rotação quinzenal ligando Paranaguá, Santos e Manzanillo (Panamá), está fortalecendo as conexões com o Caribe, os Estados Unidos e a Costa Oeste da América do Sul, oferecendo maior flexibilidade para embarques regionais e intercontinentais. Ajustes de programação, incluindo atrasos de uma semana nos serviços UCLA e TANGO em Santos, refletem os esforços contínuos para alinhar capacidade à demanda.

Rota comercial | Comentários

Costa Leste da América do Sul para Intra-Américas

Ajustes no serviço TANGO: a suspensão das escalas em Norfolk foi estendida. As cargas serão atendidas via transbordo em Cartagena. Além disso, o Rio de Janeiro retomará escalas semanais, a partir do navio Monte Azul 551N, com ETA no Rio de Janeiro em 29 de dezembro.

ECSA Shuttle – nova rotação: iniciado em novembro, o ECSA Shuttle opera de forma quinzenal com a seguinte rotação: Paranaguá → Santos (DP World) → Manzanillo (Panamá). Essa configuração melhora a conectividade com o Caribe, os EUA e a Costa Oeste da América do Sul, oferecendo maior flexibilidade para embarques regionais e intercontinentais.

Deslocamento – UCLA e TANGO: será aplicado um atraso de uma semana nos serviços UCLA e TANGO devido às condições de mercado.

UCLA: o navio Laust Maersk (originalmente 549S/602N) assumirá a posição do Maersk Rubicon (originalmente 550S/603N) em Santos no sentido sul (escala de importação), e todos os navios subsequentes sofrerão um atraso de uma semana em Santos no sentido sul.

TANGO: o navio Maersk Monte Alegre (originalmente 549S/552N) assumirá a posição do RDO Fortune (originalmente 550S/601N) em Santos no sentido sul, e todos os navios subsequentes sofrerão um atraso de uma semana em Santos no sentido sul.

As condições portuárias seguem desiguais. No Brasil, alta ocupação de pátios, restrições de berço e tempos de espera prolongados continuam afetando portos-chave como Santos, Paranaguá, Itapoá e Rio Grande, especialmente para navios que chegam fora das janelas programadas. Disrupções relacionadas ao clima podem impactar ainda mais as operações no curto prazo. Em contraste, as operações na Costa Oeste da América do Sul e em toda a América Central e o Caribe permanecem amplamente estáveis, com apenas atrasos localizados relacionados ao clima.

Planejar para a volatilidade, não para a estabilidade

O relatório da Maersk enfatiza que previsibilidade e visibilidade estão se tornando tão importantes quanto o controle de custos. Reformas tributárias e aduaneiras, especialmente no Brasil, além de novos requisitos de rastreabilidade e a evolução das regulamentações internacionais, estão remodelando o compliance e o planejamento logístico em toda a região.

Apesar dos desafios, a América Latina segue bem posicionada para capturar oportunidades de crescimento ligadas ao nearshoring e à diversificação do comércio. Empresas que tratam a logística como um ativo estratégico, investem em resiliência e planejam explicitamente para a incerteza tendem a estar mais bem preparadas para navegar o ambiente logístico volátil de 2026 e além.

Fonte: Maersk

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