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MBRF e fundo saudita criam a Sadia Halal e projetam abrir capital da unidade

out, 28, 2025 Postado porSylvia Schandert

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A MBRF, empresa que nasceu da fusão entre Marfrig e BRF, anunciou nesta segunda-feira (27/10) a criação da Sadia Halal, um passo que representa a ampliação da parceria operacional da companhia brasileira com a Halal Products Development Company (HPDC). Conhecida pela sigla HPDC, a empresa é uma subsidiária que pertence integralmente ao Public Investment Fund (PIF), fundo soberano da Arábia Saudita.

A nova unidade reunirá as fábricas e centros de distribuição da MBRF localizados na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, suas empresas de distribuição no Catar, Kuwait e Omã e o negócio de exportações diretas de aves, bovinos e produtos processados para clientes na região. Os ativos foram avaliados em US$ 2,07 bilhões.

A conclusão efetiva do acordo está sujeita à aprovação dos órgãos reguladores, mas MBRF e HPDC já têm planos de fazer uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Sadia Halal.

“A expansão da parceria com a HPDC visa a reforçar a presença da MBRF em um dos mercados mais lucrativos e influentes do mundo, aproximando cada vez mais nossas marcas dos consumidores locais e assegurando a presença permanente na agenda de segurança alimentar do país. Além disso, a operação abre a possibilidade para um IPO a partir de 2027”, disse Marcos Molina, controlador e presidente do conselho da MBRF.

Maior empresa de frango halal do mundo
A companhia brasileira prevê que o negócio será a maior empresa de frango halal do mundo, além de ter presença também no segmento da carne bovina. O mercado halal, centrado nos preceitos islâmicos que determinam o que os muçulmanos podem consumir, representa hoje 7,3% das vendas da MBRF.

“O futuro é promissor para essa companhia. É um mercado gigante. Até 2027, há projeções de que seja um mercado de mais de US$ 1,5 trilhão de consumo”, ressaltou Fábio Mariano, vice-presidente da MBRF para o mercado halal. Ele será também o principal executivo da Sadia Halal.

A estimativa tem como base, também, dados demográficos que indicam que a população muçulmana crescerá nos próximos anos a um ritmo duas vezes maior do que o restante do planeta. Hoje, a população muçulmana é de 1,9 bilhão de pessoas.

“No nosso negócio [frango e bovinos], temos alto consumo per capita, não só na Arábia Saudita, mas nos outros países do GCC (Conselho de Cooperação do Golfo), e isso também tem bastante associação com os dados demográficos”, observou Mariano. “A base de consumo é bastante grande, e como a gente tem o aporte de recursos, teremos condições de acelerar nossos planos de expansão e aumentar nossa presença localmente”, completou ele.

Na data do fechamento do negócio, previsto para ocorrer no primeiro trimestre do ano que vem, a HPDC deterá 10% da Sadia Halal, com planejamento de chegar a 30% e direito de atingir até 40%. O aumento de participação ocorrerá por meio de aporte de capital, 50% primário e 50% secundário. “Isso fortalece a estrutura de capital e também é uma grande oportunidade para o IPO”, disse Molina.

A visão dos sauditas
Fahad AlNuhait, o principal executivo da HPDC, confirmou o plano de chegar a 30% de participação na nova empresa. “Esse movimento está totalmente alinhado com os objetivos de diversificação econômica estabelecidos na Visão 2030 da Arábia Saudita, acelerando a transformação sustentável da região em um centro global de produtos halal”, afirmou ele, em comunicado.

O negócio prevê a celebração de um acordo de fornecimento de produtos de frango e bovinos da MBRF para a Sadia Halal com duração de dez anos renováveis, a partir das fábricas localizadas no Brasil. Atualmente, a companhia realiza cerca de 110 mil entregas mensais para mais de 17 mil pontos de venda na região.

A expectativa é de que a abertura de capital da nova operação ocorra a partir do primeiro trimestre de 2027. A bolsa de Riad é, hoje, a quarta do mundo em número de ofertas públicas de ações.

A julgar pelo desempenho das ações da MBRF, o anúncio animou os investidores. Na B3, as ações ordinárias da companhia fecharam esta segunda-feira em alta de 6,32%, cotadas a R$ 15,98. O Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira, subiu 0,55%.

Fonte: Globo Rural

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