Critical minerals in Brazil's supply chain
Minérios

Minerais críticos ilegais ligam alerta em portos, e apreensões batem 25 mil toneladas

set, 28, 2026 Postado porGabriel Malheiros

Semana202640

A exploração ilegal e o contrabando de minerais críticos se tornaram um dos principais desafios do setor de mineração. Nas alfândegas da Receita Federal, o problema tem chamado atenção pelo volume, escala e velocidade de expansão.

Do segundo semestre de 2024 para cá, mais de 50 mil toneladas de minerais classificados como estratégicos ou críticos tentaram sair do Brasil de forma irregular por diferentes portos.

Dados obtidos pela Folha junto à Receita Federal em Santos (SP) mostram que, nos últimos dois anos, 943 contêineres foram interceptados por alfândegas brasileiras. Eles estavam carregados ilegalmente com cobre, manganês, ilmenita, zirconita, quartzo e outros minerais.

As apreensões somam 25 mil toneladas. O volume retido só não é o dobro porque uma única carga com 25 mil toneladas de manganês ilegal conseguiu ser exportada em um navio a granel do porto de Belém (PA) antes da ação da Receita.

O episódio rendeu uma multa de R$ 10 milhões.

“O Brasil ficou muito focado no ouro e diamante e esqueceu de ver os diversos outros bens naturais que estão na moda por causa dessa disputa geopolítica, mas que já estavam saindo do país há muito tempo”, afirma Rômulo Brandão Neto, chefe da equipe de operações de vigilância e repressão na exportação da Receita Federal em Santos.

A título de comparação, as 25 mil toneladas apreendidas representam cerca de 1% de todo cobre e manganês legais exportados pelo Brasil no mesmo período, segundo dados do Comex Stat.

O cobre —fundamental para tecnologias de transição energética e baterias de carros elétricos— foi o minério mais interceptado. De 2024 para cá foram mais de 10 mil toneladas apreendidas, em 395 contêineres, nos portos de Belém, Santos, Pecém (CE), Itajaí (SC), Salvador e Vitória.

O segundo mineral mais recorrente nessas operações é o manganês —usado em aço e baterias. Foram quase 8.000 toneladas apreendidas em três portos.

Em seguida aparecerem a ilmenita (fonte de titânio, estratégico para a indústria de defesa), o quartzo (associado ao silício, fundamental para semicondutores e painéis solares), a zirconita (usada em reatores nucleares), além de cargas com outros minérios que continham ouro ilegal.

Segundo Rômulo, só uma investigação policial pode concluir quem são os grupos que estão tentando comprar esses minerais ilegais. “Mas tem um destino que responde pelo maior volume, que é o continente asiático, a China.”

Procurada, a Polícia Federal disse que não tinha porta-voz disponível para comentar o assunto.

Rômulo afirma que a principal irregularidade é o uso de notas fiscais frias para “esquentar” as cargas.

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