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Miúdos: as novas estrelas do agro brasileiro tipo exportação

fev, 10, 2026 Postado porSylvia Schandert

Semana202607

Quem diria que produtos historicamente desprezados, como o pé de galinha, ganhariam protagonismo e peso de ouro no mercado?

Além dele, outros cortes, tidos como exóticos, como é o caso do pênis bovino, conquistam novos territórios e paladares dispostos a desbravar o enigma de seus sabores.

Atualmente, o agronegócio brasileiro vem provando que o valor agregado nem sempre está nos cortes mais famosos ou tradicionais.

Essa tendência ganha tração nos últimos anos, conferindo o real valor a produtos que antes eram tratados como “patinhos feios” e que agora são chamados de iguarias, se transformaram em fontes inesperadas de renda para seus produtores, especialmente nos mercados internacionais.

Pé de galinha: de descarte a negócio milionário

O pé de galinha, tradicionalmente negligenciado em grandes cadeias de produção, se tornou um dos exemplos mais claros dessa transformação.

Distribuído por açougues nas décadas de 80 e 90 para quem chegasse, hoje, tem forte demanda na China e na África do Sul.

Esse produto encontrou nichos gastronômicos e industriais que elevam seu valor de mercado, tanto que o Brasil passou a exportar milhões de unidades e tem registrado impacto (para cima) até nos preços do mercado interno, chegando a R$ 14 o quilo em alguns mercados.

Além da culinária, onde é usado em pratos típicos como sopas e caldos, como o “walkie-talkie” sul-africano junto da cabeça do frango, o pé de galinha também entrou em mercados como snacks, vendido até em máquinas automáticas na China, pra matar a fome e o tempo.

Outra destinação, como aqui no Brasil, por exemplo, fica para a linha de produtos pet, ampliando suas aplicações e criando novas oportunidades para pequenos e médios criadores.

Só em 2025, a indústria nacional embolsou US$ 221 milhões com a venda do pé de galinha para a China, principal comprador do miúdo, segundo o Ministério da Agricultura. O valor representou um aumento de 9,5% em relação às vendas de 2024.

Pênis bovino: o “ouro branco” do mercado asiático

Outro exemplo surpreendente é o do pênis bovino, tecnicamente chamado de vergalho no Brasil. O que antes era quase sempre jogado fora ou vendido a preços de pechincha para estimular cachorros a roerem, passou a valer até US$ 6 mil por tonelada nos mercados asiáticos, especialmente na China e em Hong Kong, onde o alimento é considerado uma iguaria afrodisíaca, com valor cultural e gastronômico.

O pênis bovino também absorve temperos e caldos com facilidade. O consumo pode acontecer de várias formas: in natura, cozido, ensopados, desidratado ou até mesmo em pó, sendo que o desidratado é o mais comum.

Para frigoríficos brasileiros, isso significa que do boi “só não se aproveita o berro”, como brincam os produtores, ao tratar da redução de desperdício e um adicional importante na receita de exportação.

Ao todo, o Brasil faturou US$ 231.752 com a venda de miudezas comestíveis de bovinos frescas ou refrigeradas para o exterior, segundo a Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura que reúne dados de exportação. Só de vergalho in natura, são toneladas exportados todos os meses.

Subprodutos estrelados

Outras tendências curiosas no agro brasileiro incluem, por exemplo, os miúdos e vísceras nobres. Em alguns mercados internacionais, cortes como coração de frango, língua bovina, tripas e fígados têm forte demanda, seja na culinária tradicional ou na indústria alimentícia específica.

Dados da Datamar mostram que o Brasil exportou 8.875 TEUs de miúdos entre janeiro e dezembro de 2025. Veja a seguir a comparação mensal dos embarques destes produtos nos últimos quatro anos.

Exportação de Miúdos e Vísceras de Animais | Jan 2022 – Dez 2025 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração) 

Já a farinha e óleo de peixe são utilizados tanto na alimentação humana quanto em rações e alimentos funcionais, e têm visto crescimento em mercados como o chinês, com exportações cada vez mais robustas e diversificadas.

O omaso (bucho) bovino também já entra na seleta lista dos novos estrelados. No mercado interno, o produto ainda ocupa um nicho mais específico, ligado à culinária regional e à indústria de alimentos processados.

Já no mercado internacional, a história é outra: o omaso é considerado uma verdadeira iguaria em países da Ásia, especialmente na China (sempre a China), onde aparece em sopas, pratos refogados e receitas da medicina tradicional.

A demanda externa transformou o produto em item valorizado na pauta de exportações de subprodutos bovinos do Brasil, com preços bem superiores aos praticados no mercado doméstico.

E com a abertura de negociações sanitárias para itens como gorduras e heparina bovina em países como Vietnã e Arábia Saudita, a diversificação de produtos brasileiros segue crescendo, potencialmente incluindo subprodutos ainda pouco conhecidos no exterior.

A valorização desses produtos exóticos ou subaproveitados é parte de um movimento mais amplo: o agronegócio brasileiro tem ampliado seus mercados de exportação e diversificação de produtos, tanto tradicionais como soja, café e carnes, quanto itens menos convencionais que agora geram renda real para produtores e frigoríficos.

Fonte: Agrofy

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