Navios começam a atravessar o Estreito de Ormuz sob esquema de evacuação da ONU, diz agência
jun, 24, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202626
Os navios começaram a navegar pelo Estreito de Ormuz sob um novo esquema da agência marítima da ONU para evacuar embarcações que estavam presas na região devido ao conflito, informou um porta-voz nesta quarta-feira (24 de junho).
A iniciativa, cuja conclusão levou meses de negociações, permitirá que centenas de navios com cerca de 11 mil marítimos retidos no Golfo naveguem pelo Estreito de Ormuz, informou a Organização Marítima Internacional (IMO) na terça-feira.
“Os navios já começaram a transitar sob o plano”, disse um porta-voz da IMO nesta quarta-feira, recusando-se a fornecer detalhes sobre as embarcações que já cruzaram a passagem.
Pelo menos dois navios graneleiros e um cargueiro atravessaram o Estreito de Ormuz sob o esquema nas últimas 12 horas, segundo dados de rastreamento marítimo da LSEG divulgados nesta quarta-feira.
Três petroleiros retidos na região, transportando juntos 5 milhões de barris de petróleo bruto, também estavam deixando o Estreito de Ormuz, sendo que dois seguiam para a Ásia, de acordo com dados de navegação. Não estava claro se essas embarcações utilizaram o esquema da IMO.
EMBARCAÇÕES USARÃO DUAS ROTAS TEMPORÁRIAS PARA SAIR
Pelo menos 35 embarcações menores — principalmente graneleiros, cargueiros e navios porta-contêineres — além de cinco petroleiros e rebocadores, preparavam-se para atravessar o estreito, segundo dados de rastreamento da LSEG e da MarineTraffic analisados pela Reuters.
Pelo esquema, que a IMO afirmou ter sido possível implementar após Estados Unidos e Irã chegarem a um acordo de cessar-fogo, os navios poderão utilizar duas rotas temporárias para sair da região: uma rota ao norte, passando por águas iranianas, e uma rota ao sul, por “águas coordenadas pelo Sultanato de Omã e pelos Estados Unidos”.
“As embarcações devem aguardar instruções antes de prosseguir”, afirmou a IMO em uma nota divulgada nesta quarta-feira.
“O congestionamento da área de espera apenas resultará na suspensão de novas autorizações, em prol da segurança da navegação.”
O chamado Sistema de Separação de Tráfego Marítimo, adotado pela IMO em 1968, estabeleceu corredores de navegação através de águas iranianas e omanitas no estreito. Essa seção central atualmente não pode ser utilizada devido ao risco de minas marítimas, segundo fontes do setor de navegação e segurança marítima.
AUMENTO DOS EMBARQUES DE ENERGIA
O tráfego marítimo em Ormuz também aumentou nos últimos dias, com uma média superior a 25 navios por dia, ante cerca de 10 a 11 embarcações diárias anteriormente, segundo análise da Kpler. Ainda assim, o volume permanece muito abaixo da média de 125 navios por dia registrada antes do início do conflito, em 28 de fevereiro.
Mais embarcações voltaram a ativar seus transponders públicos de rastreamento AIS, embora algumas possam continuar sem ser detectadas devido a interrupções significativas nos sinais AIS e à decisão de certos navios de ocultarem seus movimentos na região.
Entre 500 e 600 embarcações permanecem retidas dentro do Golfo, incluindo até 100 petroleiros, de acordo com estimativas da IMO e do mercado. Nas últimas semanas, as Forças Armadas dos Estados Unidos haviam iniciado uma operação para auxiliar embarcações a deixarem o estreito.
A iniciativa da IMO não contempla navios que desejam entrar no Golfo para carregar petróleo produzido pelos países da região.
“A estrutura criada pela IMO foi desenvolvida devido à contínua deterioração da segurança da navegação no estreito e às preocupações com o elevado risco de colisões”, afirmou o grupo britânico de gestão de riscos marítimos Vanguard em nota divulgada nesta quarta-feira.
“Armadores e comandantes continuam responsáveis por realizar avaliações independentes dos riscos da viagem antes de participar da operação. Os movimentos das embarcações podem ser suspensos a qualquer momento por motivos de segurança, proteção ou coordenação naval.”
As tarifas de frete dos petroleiros dispararam nos últimos dias devido à escassez de embarcações disponíveis e às preocupações com a segurança, incluindo o risco de minas flutuantes.
Fonte: Reuters
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