Número de empresas agroexportadoras cresce 60% em 10 anos
abr, 06, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202617
Os sucessivos recordes das exportações agropecuárias brasileiras na última década ocorrem, também, pelo aumento do número de empresas exportadoras no setor. A quantidade de CNPJs de agropecuária com exportações cresceu de 1.440 em 2015 para 2.316 em 2025, um aumento de 60,8% em 10 anos. O levantamento é do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e inclui empresas de todos os tamanhos, desde MEIs, microempresas e pequenas até médias e grandes.
“A expansão da produção agrícola impulsiona a entrada de novas empresas na comercialização internacional de produtos tradicionais do setor e, também, a diversificação da pauta”, afirma Herlon Alves Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior da pasta.
De acordo com ele, ao mesmo tempo, a adoção de tecnologias e o desenvolvimento de novas culturas ampliam as oportunidades de inserção, especialmente de pequenas empresas, no comércio exterior.
“Menores” puxam o crescimento
As categorias de empresas agro de menor porte (MEIs, micro e pequenas) com exportação tiveram crescimento substancialmente maior em relação às grandes e médias desde 2015.
“É um dado muito interessante e positivo, que indica não só o crescimento, mas também a formalização e profissionalização do setor agropecuário”, avalia Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro.
No período analisado, o número de microempresas e MEIs agroexportadoras saltou de 153 para 443 (+189,5%), enquanto o de pequenas avançou de 191 para 434 (+127,2%). Já entre médias e grandes, o total subiu de 1.096 para 1.439, crescimento de 31,3%.
As empresas de menor porte somam 877, ou 37,9% do total de agroexportadoras, contra 62,1% das médias e grandes. Há 10 anos, a participação das MEIs, micro e pequenas era de 23,9%, um aumento de 14 pontos percentuais.
“Isso também desmonta a falácia de que apenas grandes grupos do agronegócio exportam. Os pequenos também conseguem acessar. O que fica mais fácil com suporte adicional, seja da Apex ou de cooperativas”, comenta.
Segundo Serigati, o agro é heterogêneo e o mercado internacional tem espaço não só para grandes empresas, mas também para produtores de menor escala.
“Não é surpresa que tenhamos mais de 800 empresas de menor porte como exportadoras e também esse crescimento. Ouvimos muitos relatos sobre essa evolução”, afirma.
Apoio aos pequenos
Para o presidente da Agência Brasileira de Promoção das Exportações (ApexBrasil), Jorge Viana, a demanda global por segurança alimentar cresce, com forte dependência do Brasil.
“Além de fornecer commodities, os principais desafios do agro brasileiro são avançar na exportação de produtos com maior valor agregado e incluir pequenas empresas”, afirma.
Viana informa que a ApexBrasil atende 960 das 2,3 mil empresas agroexportadoras, cerca de 41% do total, índice acima do registrado em outros setores.
Entre os programas, ele cita o Exporta Mais Brasil, que traz compradores estrangeiros ao país e tem 27 edições previstas para 2026, com rodadas de negócios individualizadas e apoio de intérpretes. Em 2025, essas ações geraram cerca de R$ 1 bilhão em negócios com produtos como cafés especiais, mel, castanhas, madeira e pulses. “Fazemos um trabalho de inteligência para encontrar compradores e trazê-los ao Brasil”, explica.
A estratégia inclui a participação de cooperativas em eventos e feiras internacionais, além do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX). “Os grandes chegam rápido lá fora, mas é nos pequenos que precisamos dar suporte”, afirma.
Viana também destaca o e-commerce como porta de entrada para pequenos produtores. “É uma vitrine importante e vai crescer, mas ainda há obstáculos, como critérios regulatórios”, conclui.
Pauta diversificada
O portfólio de produtos agropecuários registrou aumento de 70% entre 2015 e 2025. O número de NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) saltou de 225, em 2015, para 387, em 2025.
“Esse movimento se traduz no aumento e na diversificação da pauta exportadora”, afirma Brandão.
Há maior diversidade nas exportações de frutas, com inclusão de produtos como tangerinas, amêndoas, nectarina, pitaia e lichia, além da ampliação da pauta de verduras e leguminosas.
“Também se destaca a exportação de sementes para semeadura que antes não integravam a pauta, como nabo, rícino, mostarda e algodão”, cita.
Cenário
A agropecuária representou 6,9% das empresas exportadoras do país em 2025. Já a indústria de transformação respondeu por 81% do total, com 33.359 CNPJs. Dez anos antes, os percentuais eram 6,5% e 82%, respectivamente.
No faturamento, a agropecuária ampliou sua participação. Em 2015, as exportações do setor somaram US$ 35 bilhões (19,7% do total de US$ 177,8 bilhões).
Em 2025, esse valor mais que dobrou, atingindo US$ 77,4 bilhões, com participação de 23,9% sobre o total de US$ 323,6 bilhões. No período, o crescimento foi de cerca de 121%, com ganho de 4,2 pontos percentuais.
O levantamento considera apenas empresas exportadoras do segmento “dentro da porteira”, excluindo parte da agroindústria e outros elos do agronegócio.
Dados do MDIC apontam que as exportações do agro como um todo totalizaram US$ 169,2 bilhões em 2025, o equivalente a 48,5% do total exportado pelo país.
Fonte: Globo Rural
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