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Operadora portuária de Hong Kong investe para fortalecer porto no México

nov, 26, 2025 Postado porSylvia Schandert

Semana202548

A Hutchison Ports, subsidiária do conglomerado de Hong Kong CK Hutchison Holdings, está investindo pesadamente em um importante porto na costa oeste do México, um símbolo da influência ascendente da China na América Latina.

Enormes guindastes, caminhões e empilhadeiras podem ser vistos circulando pelo terminal de contêineres da Hutchison Ports no Porto de Lázaro Cárdenas.

Operado por uma unidade local da Hutchison Ports, o terminal ocupa uma área total de 122 hectares. Seu volume de movimentação de contêineres atingiu cerca de 1,5 milhão de TEUs em 2024, o equivalente a 30% do volume do Porto de Tóquio, o maior do Japão.

A empresa busca aumentar o tráfego investindo cerca de 3,47 bilhões de pesos (US$ 188 milhões) para expandir o terminal e adicionar novas instalações. Guindastes e outros equipamentos estão sendo eletrificados desde 2024.

A Hutchison Ports responde por cerca de 40% dos investimentos privados previstos para todo o Porto de Lázaro Cárdenas, que abriga diversas outras empresas.

A capacidade do porto cresceu mais de mil vezes ao longo dos 20 anos até 2023, de acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS). A Hutchison Ports, que adquiriu os direitos de gestão em 2003, desempenhou um papel significativo nessa expansão.

A empresa participa da operação de 53 portos em 24 países. Seu volume de movimentação de contêineres em 2024 se aproximou de 90 milhões de TEUs, quatro vezes o volume de todos os portos do Japão.

A empresa também administra os dois portos localizados em cada extremidade do Canal do Panamá. O então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a acusar a China de controlar o canal, transformando-o em nova fonte de conflito entre os países.

Alfredo Huesca, diretor-geral da Hutchison Ports LCT, disse ao Nikkei Asia que a empresa não recebeu nenhuma instrução do governo chinês nos últimos 20 anos.

A CK Hutchison aceitou uma proposta para transferir os direitos de operação de 43 portos ao redor do mundo, incluindo os do Canal do Panamá, para um consórcio de investidores que incluía a BlackRock — acordo posteriormente suspenso pelo governo chinês. O governo do Panamá também interveio, deixando a oferta de US$ 22,8 bilhões em suspenso.

A Hutchison Ports opera sete terminais de contêineres na América Latina e no Caribe, segundo o CSIS. O México, com quatro terminais, é sua maior base na região.

Huesca afirmou que a empresa só tem conhecimento das informações públicas referentes à aquisição liderada pela BlackRock. Ele acrescentou que os recentes acontecimentos não tiveram impacto nas operações diárias do porto.

Em dezembro de 2024, 25 toneladas de materiais precursores para a fabricação de drogas sintéticas, como o fentanil, foram apreendidas no maior porto do México, Manzanillo. Acredita-se que a maior parte tenha sido importada da China.

Manzanillo abriga o quartel-general da Marinha Mexicana e tem sido o centro de uma disputa de poder entre o Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), um dos maiores grupos do crime organizado do país, e outras organizações.

O terminal de Manzanillo também é uma importante porta de entrada de cargas para os Estados Unidos. Uma análise do CSIS estimou que uma interrupção nesse terminal poderia custar à economia americana mais de US$ 130 milhões por dia.

Um relatório do CSIS identificou 37 portos na América Latina ligados a empresas chinesas. Embora afirme não haver evidências de atividade criminosa, o documento alerta que esses portos podem ser usados como bases ideais para organizações criminosas chinesas atuarem em conjunto com grupos locais.

O relatório também apontou a possibilidade de que exportações para a China, em setores onde as transações são proibidas — como frutos do mar, madeira, minério de ferro e cobre — possam ser viabilizadas por meio de subornos a funcionários da alfândega ou estivadores.

Em junho, um navio cargueiro operado pela gigante chinesa de veículos elétricos BYD fez sua primeira atracação em um terminal dedicado a automóveis no Porto de Lázaro Cárdenas. Uma fonte do terminal afirmou que navios da BYD já haviam chegado quatro vezes até outubro. Obras de expansão para aumentar em 20% a capacidade do terminal de automóveis estão em andamento.

Em um relatório de 2023, a Coalizão Internacional Contra Economias Ilícitas afirmou: “O CJNG está obtendo os precursores químicos para a produção de fentanil, principalmente importados pelos portos de Lázaro Cárdenas e Manzanillo”. O relatório indicou que ambos os portos estavam sob o controle do cartel em 2020.

Imagem gerada por inteligência artificial

Fonte: Valor Econômico

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