Pera ferroviária em Santos deve ser concluída em 2026; estrutura ocupará área com mais de 100 mil metros quadrados
nov, 14, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202547
A pera ferroviária do Porto de Santos segue com expectativa de conclusão no segundo semestre do próximo ano, segundo a Associação Gestora da Ferrovia Interna do Porto de Santos (AG-Fips), responsável pelas obras. O prazo ultrapassa os 24 meses inicialmente previstos quando as intervenções começaram, em janeiro de 2024. Trata-se de um pátio circular — por isso o nome da fruta — que possibilitará o transbordo da carga sem a necessidade de desmembramento do trem.
Não foi informado o valor dos investimentos realizados e projetados. A cessionária privada da Fips, formada pelo consórcio Rumo, MRS e VLI, prefere aguardar a conclusão das obras. A estrutura, localizada em Outeirinhos, na Margem Direita do complexo portuário santista, será construída em uma área de 102 mil metros quadrados.
Das sete fases da obra, quatro já foram concluídas: revitalização do Pontilhão nº 3 do Canal do Mercado, retificação de traçado e ampliação das linhas férreas da saída de vagões vazios, retificação de traçado e ampliação das linhas de entrada de vagões carregados e compatibilização com a estrutura dos terminais de Outeirinhos para a entrada dos trens.
Segundo a AG-Fips, estão em execução as fases 5 e 6, com previsão de término no primeiro trimestre de 2026. Em seguida, começa a fase 7, última etapa do projeto, com conclusão prevista para o segundo semestre do mesmo ano.
A quinta fase consiste na retificação geométrica da curva de acesso aos terminais. A sexta fase trata da compatibilização com a estrutura dos terminais de Outeirinhos para a saída dos trens. Por fim, a etapa 7 é o fechamento do loop da pera, quando a parte circular é concluída e se inicia a operação sem desmembramento das composições.
Segundo a Autoridade Portuária de Santos (APS), a implantação da pera ferroviária aumentará em até 20 milhões de toneladas por ano o escoamento de granéis vegetais. A mudança beneficiará 13 terminais da Margem Direita do porto. A AG-Fips projeta ampliar a capacidade ferroviária, atualmente em 50 milhões de toneladas úteis ao ano, para 115 milhões.
O diretor da Graf Infra Consulting, Rodrigo Paiva, considera a pera ferroviária uma necessidade estratégica para o Porto de Santos. Ele afirma que, ao eliminar a necessidade de desmembrar trens, o tempo de ciclo das composições diminui drasticamente, permitindo a operação de trens mais longos de forma mais ágil e eficiente. A estrutura é essencial para atender à expansão de setores como grãos, açúcar e celulose, que demandam grande volume e eficiência no escoamento.
Paiva destaca o desequilíbrio da matriz de transporte no Porto de Santos, semelhante ao de outros complexos brasileiros: cerca de 70% das cargas chegam ou saem por caminhões, modal saturado e com pouca margem de expansão. A ferrovia responde por aproximadamente 30%. Segundo ele, o objetivo é inverter essa lógica, e a pera ferroviária é a principal ferramenta para isso. Com o crescimento previsto do agronegócio, o volume de cargas que chegará a Santos deve dobrar nos próximos cinco anos. Sem reforço ferroviário, o porto não conseguiria absorver essa demanda, gerando um gargalo nacional.
A pera ferroviária é um pátio circular que permite que toda a composição entre, contorne o circuito e saia na direção oposta, pronta para retornar, sem necessidade de desmembramento ou manobras complexas. A estrutura é especialmente útil em terminais de grande movimento, como portos, onde o trem chega carregado, descarrega e rapidamente já pode ser recarregado ou retornar à origem de forma eficiente.
Fonte: A Tribuna
-
Navegação
fev, 06, 2020
0
Evergreen começa a operar na TecPlata, na Argentina
-
Outras Cargas
jun, 29, 2020
0
Indústria brasileira de massas e biscoitos fatura mais no primeiro quadrimestre de 2020
-
Economia
mar, 31, 2022
0
DataLiner: Dados de movimentação de contêineres de fevereiro indicam estagnação da economia
-
Logística Outros
dez, 18, 2023
0
Projeto de nova rodovia ajudará no escoamento de cargas no Porto de Santos