Pistache ganha espaço no agronegócio argentino com foco em exportação
fev, 26, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202609
Antes impulsionados principalmente por tendências de confeitaria premium e pela mudança global em direção a dietas mais saudáveis, os pistaches estão emergindo como uma das histórias de crescimento de longo prazo mais atraentes do agronegócio. Com a demanda global avançando de forma constante e a oferta limitada em regiões produtoras-chave, a cultura vem atraindo novos investimentos e expansão de área em origens emergentes. A Argentina, beneficiada pela produção em contraestação e por condições agroclimáticas favoráveis, posiciona-se para capturar parte de um déficit estrutural de oferta esperado para as próximas décadas.
O racional do negócio é sustentado por um desequilíbrio crescente entre oferta e demanda. A demanda global por pistaches cresce a uma taxa anual de 6,5%, enquanto a expansão da oferta global permanece abaixo de 5%. Atualmente, 90% da produção mundial está concentrada em apenas três países: Estados Unidos — com a Califórnia respondendo por 40% da produção global — Irã (30%) e Turquia. Esses principais produtores enfrentam limites de produção devido à escassez de água e a restrições de solo.
De acordo com projeções do USDA e do International Nut Council, o mercado pode enfrentar um déficit estrutural de 250 mil toneladas até 2040. Esse descompasso tende a sustentar preços firmes e reforça a reputação do pistache como um ativo agrícola de relativamente baixa volatilidade.
“Pistaches não são uma moda passageira nem uma aposta cíclica. Os fundamentos são muito sólidos: a demanda cresce de forma consistente há mais de duas décadas, enquanto a oferta avança mais lentamente por barreiras técnicas, climáticas e de capital”, afirmou Juan Ignacio Ponelli, fundador e CEO da AgroFides. Ele acrescentou que tendências recentes de consumo aumentaram a visibilidade do setor, tanto em termos de consumo quanto de projeções de longo prazo. “Um déficit estrutural anual projetado de 250 mil toneladas até 2040 é enorme. Isso sustenta a firmeza dos preços”, disse.
A vantagem competitiva da Argentina
A proposta de valor da Argentina reside em seu ciclo de produção em contraestação. A expansão doméstica tem sido rápida: a área plantada aumentou 500% nos últimos anos, segundo dados do INTA, alcançando entre 7 mil e 9 mil hectares. A província de San Juan lidera com aproximadamente 6.500 hectares — cerca de 90% da produção nacional — apoiada por clima semiárido e alta radiação solar. Mendoza e La Rioja vêm na sequência.
A demanda interna também acelera. As importações de pistache sem casca dispararam 17.000% nos últimos cinco anos, impulsionadas por indústrias alimentícias que incorporam o produto a sorvetes, alfajores, confeitaria premium e outros itens de maior valor agregado. Ainda assim, as exportações representam o principal motor de crescimento do setor.
Dados de importação de cargas em contêineres da Datamar confirmam que as entregas de pistaches, tanto em casca quanto descascados, cresceram 403% na Argentina, comparativamente a 2024. Veja a seguir performance mensal da importação desses produtos de acordo com dados do DataLiner:
Importação de Pistache | Argentina | 2023 – 2025 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Com produtividade média de 3.500 quilos por hectare, a Argentina se prepara para migrar de fornecedora marginal para principal produtora do Hemisfério Sul. Investimentos em tecnologia de irrigação e sistemas de rastreabilidade sustentável buscam atender aos padrões de compradores globais cada vez mais exigentes.
Principais players do setor
A ascensão da Argentina como polo produtor de pistache reflete uma transição estratégica liderada por um grupo seleto de empresas que transformaram plantios experimentais dos anos 1980 em uma indústria moderna orientada à exportação. Em um mercado historicamente dominado por Irã e Estados Unidos, a Argentina passa a integrar um círculo restrito de produtores secundários que inclui Grécia, Itália, Espanha e Austrália.
As origens do setor no país estão intimamente ligadas a Marcelo Ighani, empresário nascido no Irã que introduziu as primeiras sementes em 1980. Quatro décadas depois, sua empresa, Pisté S.R.L., permanece como pilar técnico do segmento. Por meio de um viveiro de alta tecnologia, a companhia processa cerca de 80 mil sementes importadas por ano da Califórnia e do Arizona, fornecendo mudas do porta-enxerto híbrido UCB1. Esse porta-enxerto sustenta as variedades produtivas Kerman e Peters, assegurando sanidade das plantas e desempenho produtivo nos novos pomares.
Em escala, a Frutos del Sol lidera o mercado. Administrada por Juan Domingo Bravo e Laura Pedrosa, a empresa familiar opera 1.100 hectares e exporta 1,6 milhão de quilos de pistache por ano para destinos internacionais. Seu modelo verticalizado vai da produção de sementes e mudas ao processamento de derivados de maior valor agregado, como óleo e farinha de pistache. A companhia expandiu-se para a Europa com um armazém em Florença, na Itália, e um laboratório — PURA — focado em cremes e pastas premium para o mercado europeu.
A Pistachos de los Andes, ativa desde 1998, expandiu-se de 75 para 300 hectares em San Juan, gerenciando toda a cadeia produtiva até a embalagem final para mercados como Espanha e Brasil.
Já a SolFrut — do Grupo Phrónesis — representa a entrada de grandes grupos do agronegócio no segmento. Com presença consolidada na produção de azeite sob a marca Oliovita, a SolFrut lançou em 2019 uma estratégia agressiva de expansão do pistache baseada no modelo californiano.
“Tínhamos uma fazenda em 25 de Mayo, onde a amplitude térmica anual é adequada ao pistache, e decidimos fazer um investimento em larga escala”, disse José Chediack, presidente do grupo. “Nossa análise econômico-financeira mostrou forte potencial. Desenhamos o projeto com foco principal em exportações.”
Atualmente, a SolFrut possui 1.100 hectares plantados, com produção prevista para iniciar em 2027 e crescer gradualmente a cada ano. “Isso nos dá escala suficiente para processar nossa própria produção e a de produtores vizinhos, e pretendemos alcançar 2.000 hectares nos próximos anos”, acrescentou Chediack.
Desde 2018, a Prodeman — empresa por trás da marca Maní King — também ingressou no mercado de pistache, desenvolvendo cerca de 500 hectares em 9 de Julio, San Juan. A operação conta com infraestrutura moderna, sistemas de irrigação adaptados ao clima e assessoria técnica especializada.
A AgroFides adotou um modelo de gestão de capital, combinando investimento de terceiros com base produtiva própria. A empresa já possui 110 hectares plantados em San Juan. Ponelli, que migrou da área de tecnologia para o agronegócio, descreve o pistache como um ativo de risco relativamente baixo. “É uma planta resiliente. Quando atinge a maturidade, os pomares podem produzir por 50 ou até 100 anos com manejo adequado”, afirmou.
Dadas as elevadas exigências de capital e a espera de seis a sete anos até a primeira colheita, a AgroFides estruturou seus investimentos por meio de veículos fiduciários, como o “La Memita”, efetivamente tokenizando a produção. Os investidores podem participar com aportes a partir de US$ 30 mil por hectare, mais US$ 6 mil anuais em custos de manutenção. A empresa projeta retornos anuais em dólar entre 14% e 20%, com média de 17% quando os pomares atingem plena produção.
As metas de produtividade são de 3.500 quilos por hectare, embora anos de pico possam chegar a 6.000 quilos. Com preços na porteira em torno de US$ 6 por quilo, o pistache é cada vez mais visto como uma reserva de valor tangível de longo prazo.
O mercado doméstico já reflete essa mudança. As importações de pistache sem casca cresceram 17.000% nos últimos cinco anos, impulsionadas por empresas dos setores de alimentos, cosméticos e indústrias relacionadas que incorporam o produto às suas cadeias de suprimentos.
Fonte: Cecilia Valleboni para a Forbes Argentina
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