Portos e Terminais

Porto de Rio Grande será base para primeira torre eólica offshore flutuante do Brasil

jun, 25, 2025 Postado porSylvia Schandert

Semana202526

Um acordo entre empresas multinacionais, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Portos RS e Sindienergia tem a intenção de construir a primeira usina eólica offshore flutuante do Brasil. Batizado de Aura Sul Wind, o projeto-piloto será instalado em águas profundas próximas ao Porto de Rio Grande.

Com início das operações previsto para 2030, o projeto prevê o uso da tecnologia japonesa Raijin FOWT, que consiste em uma turbina eólica montada sobre uma base flutuante de concreto. A torre, de cerca de 200 metros de altura, terá pás com 150 metros e capacidade de geração de 18 megawatts (MW), suficiente para abastecer, inicialmente, o próprio porto rio-grandino. A estrutura será montada dentro do complexo portuário e rebocada até a área de ancoragem em alto-mar.

“A grande vantagem deste sistema flutuante, a Raijin FOWT, é a facilidade na construção e instalação da fundação, e o uso de concreto, material que o Brasil domina tecnologicamente e produz em larga escala, o que reduz os tempos e custos de realização. Isso também ativa uma cadeia produtiva local e acelera a industrialização do setor offshore no Brasil”, explica Rodolfo Gonçalves, especialista em energia eólica offshore, conselheiro da JB Energy e professor da Universidade de Tóquio, no Japão, que liderou a apresentação técnica do projeto e idealizou a formação do consórcio.

Porto de Rio Grande
A escolha de Rio Grande como sede do projeto-piloto acontece pelo grande potencial da região, com ventos fortes e constantes, águas profundas próximas à costa e, sobretudo, um porto estruturado para montar e operar a tecnologia contratada. Após a fase piloto, a ideia é avançar para construção de novas plataformas.

Para Daniela Cardeal, presidente do Sindienergia-RS, o projeto reafirma o protagonismo do Rio Grande do Sul, que em 2006 criou o maior parque eólico da América Latina, em Torres. “É um marco não apenas para o setor, mas para toda a economia do Sul. Este projeto reforça a posição do RS como polo estratégico de inovação e transição energética no Brasil”, destaca.

Desenvolvimento regional
O investimento estimado para a fase inicial do Aura Sul Wind é de 100 milhões de dólares. O projeto será desenvolvido em quatro etapas: estudos de viabilidade, projeto executivo, construção e monitoramento, e por fim a fase comercial. A iniciativa integra o Programa Portos Verdes, que visa descarbonizar os processos logísticos e impulsionar a energia limpa na infraestrutura portuária do RS.

“A energia gerada será o combustível da nova economia. E queremos que essa economia nasça aqui”, reforça Rodolfo Gonçalves, especialista em energia e conselheiro da JB Energy. Segundo ele, a plataforma flutuante poderá ser replicada em série, gerando novos empregos e oportunidades na indústria naval, na construção civil e no setor de serviços especializados em energia offshore.

Conforme o protocolo de intenções, a implantação do Aura Sul Wind também deve movimentar centros de pesquisa, universidades e atrair investidores nacionais e estrangeiros interessados em desenvolver projetos sustentáveis em solo brasileiro. O consórcio já iniciou articulações com o setor público e com o mercado privado para garantir o financiamento da fase piloto.

Fonte: A Hora do Sul

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