Porto de Santos concentra mais da metade das exportações de carros no Brasil
nov, 24, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202548
O Porto de Santos segue acelerando quando o assunto é exportação de automóveis. O complexo santista é responsável, atualmente, por aproximadamente 55% dos embarques do País, distribuídos entre os terminais Ecoporto, na Margem Direita, e Santos Brasil, na Margem Esquerda (Guarujá).
Segundo dados da Autoridade Portuária de Santos (APS), a partir do Comex, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), foram exportadas, de janeiro a setembro deste ano, 108.657 unidades via Porto de Santos. O crescimento foi de 39,08% em relação às 66.191 unidades no mesmo período de 2024. O número também já superou o total do ano passado, que foi de 92.926 unidades.
Em termos financeiros, a movimentação atingiu US$ 1,5 bilhão até setembro deste ano — 37% a mais que os US$ 922,8 milhões registrados na mesma faixa temporal de 2024. O valor também superou o ano anterior completo, de US$ 1,3 bilhão.
Lúcio Lage, diretor executivo da Process Log & Comex, empresa especializada em operações de logística e comércio exterior, afirma que a exportação de veículos tem grande relevância econômica para a Baixada Santista, pois movimenta toda a cadeia logística regional: porto, terminais, transportadoras, agentes de carga, despachantes, seguradoras e empresas de serviços.
“Do ponto de vista econômico, é uma atividade que traz liquidez e previsibilidade para o comércio exterior da região. Cada navio embarcando veículos representa centenas de contêineres, cargas fracionadas, serviços logísticos, transporte rodoviário e seguro internacional — tudo isso circulando capital na Baixada Santista”, explica.
Crescimento em outros portos
Embora Santos esteja muito à frente de Paranaguá (PR), segundo colocado com 51.870 veículos exportados até setembro, e de Suape (PE), terceiro lugar com 28.099 unidades, os resultados de outros complexos portuários chamam a atenção.
“O crescimento demonstra a centralidade de Santos nas exportações, ao mesmo tempo em que evidencia o avanço de outros portos, fruto da diversificação logística das montadoras e da retomada operacional de terminais regionais”, avalia Rafael Cristelo, gerente geral da K Line, empresa japonesa de navegação que opera mais de 600 navios no mundo e é líder no transporte marítimo de veículos no Brasil.
Mercado internacional
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou que, até setembro, o Brasil exportou 430,8 mil unidades — número superior às 398 mil de 2024. A quantidade superou a previsão da entidade, feita em janeiro (428 mil), que foi revisada para 552 mil em agosto.
Cristelo lembra que as exportações brasileiras de veículos continuam concentradas na América Latina. A Argentina é, de longe, o principal destino, com cerca de 50% do valor exportado entre janeiro e setembro deste ano. Em seguida vêm México (20%), Colômbia (10%), Chile (6%) e outros mercados da região, como Peru, Uruguai e Paraguai.
“Historicamente, o Brasil se especializou na produção de automóveis de passeio, SUVs compactos, caminhões e chassis de ônibus, enquanto a Argentina concentra sua indústria na fabricação de picapes, devido à forte presença local de fornecedores e montadoras focadas nesse segmento”, afirma.
O executivo ressalta, porém, que o México, segundo maior mercado dos veículos brasileiros, enfrenta forte concorrência dos modelos chineses, que já possuem mais de 35% de participação no mercado local, pressionando os produtos brasileiros.
Porto tem dois terminais para carros
Operado pela Santos Brasil, o Terminal Exportador de Veículos (TEV), na Margem Esquerda, responde por mais de 90% da movimentação de automóveis no Porto de Santos e por cerca de 40% no País. É o maior terminal de veículos do Brasil, com capacidade para 300 mil unidades ao ano, e está localizado ao lado do Tecon Santos, terminal de contêineres também administrado pela Santos Brasil.
No acumulado dos nove primeiros meses deste ano, o terminal movimentou 194.468 veículos, contra 143.713 no mesmo período de 2024 — alta de 35,3%. No terceiro trimestre, foram 73.202 veículos, alta de 31,1% frente ao mesmo período do ano anterior, impulsionada pelo desempenho das exportações de veículos leves para Argentina, Colômbia e México e de pesados para os Estados Unidos.
As exportações representam a maior parte das operações. No primeiro semestre deste ano, dos 121.266 veículos movimentados, 114.235 foram destinados ao exterior. No mesmo período de 2024, foram 87.858 unidades operadas, com 77.470 embarcadas para fora do País.
A maior parte das exportações é voltada à América do Sul (Argentina, Colômbia, Equador e Chile) e à América do Norte (México). Segundo Bruno Stupello, diretor de Operações de Terminais Portuários da Santos Brasil, a movimentação é predominantemente de exportação devido à proximidade do terminal com o maior polo industrial automotivo do Brasil, localizado no ABC e no interior paulista. Ele também cita a maior carga tributária de importação em São Paulo, que desestimula operações de entrada no Estado.
Já o Ecoporto, pertencente ao Grupo EcoRodovias, movimentou 20.057 unidades de janeiro a setembro deste ano, número superior ao mesmo período de 2024 (15.499), crescimento de 29%. Segundo a empresa, a capacidade destinada a veículos pode variar conforme o perfil das cargas agendadas, característica de um terminal multipropósito.
Atividade exige mão de obra especializada
Lúcio Lage destaca que a exportação de automóveis demanda mão de obra qualificada em diversas etapas: estufagem, conferência, vistoria, documentação, seguros e gestão logística. Para cada emprego direto em uma montadora ou terminal, há vários empregos indiretos em empresas de apoio, como operadores logísticos, transportadoras e agentes de comércio exterior.
“O que pode ser aprimorado é a qualificação e integração da mão de obra local com as novas tecnologias do setor, como sistemas de rastreamento, digitalização documental e processos aduaneiros automatizados”, comenta.
Ele acrescenta que políticas de incentivo e simplificação tributária podem aumentar a competitividade das empresas da região, permitindo que mais operações permaneçam em Santos, em vez de migrarem para portos com custos mais baixos ou menor burocracia. “Quanto mais previsibilidade e eficiência o ambiente portuário oferecer, mais empregos e investimentos o setor atrai”, conclui.
Competitividade e desafios
Para Lage, manter a competitividade do Porto de Santos é essencial. O principal desafio é equilibrar custo, eficiência e infraestrutura. “Santos é o maior porto do Hemisfério Sul, mas enfrenta gargalos logísticos como acessos viários, burocracia aduaneira e custos elevados. Ao mesmo tempo, terminais de outros estados vêm investindo pesadamente em tecnologia, automação e incentivos fiscais”, afirma.
Ele defende a aceleração de projetos estruturantes, como o túnel imerso Santos–Guarujá, a modernização dos acessos rodoviários e ferroviários e a digitalização completa dos processos portuários. Cita também a integração de Receita Federal, Anvisa, Vigiagro e outros órgãos em plataformas unificadas.
“Outro ponto crucial é fortalecer a colaboração entre operadores privados, órgãos públicos e empresas do setor, criando um ambiente de confiança e previsibilidade. É isso que garante que investidores e operadores internacionais continuem apostando em Santos como hub principal de exportação — não só de automóveis, mas de toda a cadeia industrial brasileira”, reforça.
Fonte: A Tribuna
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