Petróleo e Gás

Possível fechamento de Ormuz pode deixar mais caras importações de gás para térmicas brasileiras, diz IBP

jun, 23, 2025 Postado porSylvia Schandert

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Um possível fechamento do Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e Omã, devido ao acirramento do conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos no Oriente Médio, pode elevar o preço de importações brasileiras do Gás Natural Liquefeito (GNL), para abastecer térmicas no curto prazo; e de gasolina e diesel em médio prazo, afirmou Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP).

O fechamento do estreito, ainda não realizado, foi aprovado pelo parlamento iraniano neste domingo (22). O executivo lembrou que parte das importações do Brasil desses combustíveis passa pelo Estreito. No entendimento dele, tão importante quanto o fechamento em si da passagem — caso o bloqueio realmente aconteça —, é por quanto tempo essa possível interdição duraria.

No caso do GNL, o executivo explicou que o Brasil importa entre 10% e 14% desse combustível, em média, para abastecimento local. “Existem hoje sete unidades de liquefação de gás, distribuídas pelo território nacional, exatamente para atender à demanda de liquefação de gás importado”, afirmou.

O problema da possibilidade de fechamento do Estreito, justamente agora, ponderou, é essa época do ano, de mais “seca” nos reservatórios das hidrelétricas, que assim geram menos energia. É nesse período, lembrou, que as importações do GNL são mais expressivas, para atender à demanda das termelétricas. A geração de energia por termelétricas é mais acionada, em meados de cada ano, no país, para compensar o ritmo menor de geração das hidrelétricas, que ocorre nessa época, explicou.

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Os países mais fornecedores de GNL, no Oriente Médio, são Qatar, Kuwait e Omã, citou ele. Com o fechamento do Estreito, importar desses países seria algo praticamente impossível e o Brasil teria de procurar outros fornecedores, admitiu. “Trinidad e Tobago, Argélia, os próprios Estados Unidos. A Rússia vende um pouco de gás natural”, enumerou ele, como opções de outros produtores mundiais de GNL, em substituição aos países do Oriente Médio.
“Mas não seremos os únicos a procurar outros fornecedores. Outros países, também importadores de GNL, farão o mesmo”, frisou.

Ou seja: com menor número de fornecedores de GNL no mercado global, devido ao possível fechamento do Estreito (e, com isso, impossibilidade de importar de países que usam aquela passagem para escoamento de suas respectivas produções), a oferta global do produto diminui, notou. Mas a demanda global pelo item continuaria a mesma, frisou. Isso, na prática, pode conduzir a um aumento no preço do GNL importado no curto prazo, admitiu.

Além disso, caso ocorra o fechamento do Estreito de Ormuz e esse perdure por muito tempo, preços de importações de outros derivados de petróleo também podem ser afetados, reconheceu ele.

Ao continuar a falar das consequências ao setor energético brasileiro do atual quadro, mas em horizonte de médio prazo, Ardenghy recordou de outros produtos importados. Ele detalhou que, além de GNL, o Brasil importa diesel e gasolina, e também conta como fornecedores países do Oriente Médio, cujo escoamento de exportações de derivados de petróleo será afetado por possível fechamento do Estreito, reiterou.

Normalmente, nessa época do ano, o Brasil importa entre 5% e 10% do total demandado pelo mercado interno, para diesel e para gasolina — o que não é muito, admitiu. Os próprios estoques brasileiros desses dois combustíveis poderiam compensar uma impossibilidade temporária de parte das importações desses dois itens originadas do Oriente Médio.

Mas, ressaltou o presidente do IBP, a partir de outubro o cenário é outro. Daqui a alguns meses, o país começa a importar cerca de 25% e de 18% do total dos consumos internos de diesel e de gasolina, respectivamente. Isso porque o consumo brasileiro cresce, impulsionado pelo agronegócio, no caso do diesel; e por maior ritmo de viagens do brasileiro, no caso da gasolina.

“O problema é se isso [fechamento do Estreito de Ormuz] durar”, admitiu.

O especialista destacou a importância do Estreito, não somente para comércio de petróleo e derivados, como também para comércio global. “É muito sério [o possível fechamento da passagem]. Porque ali passa muito produto. São 20 milhões de barris de petróleo, mais uns quatro milhões a cinco milhões de derivados [de petróleo], que passam todos os dias pelo Estreito de Ormuz. E, do outro lado, o Golfo de Áden, que conecta o Mar Vermelho ao Mar Arábico, e depois vai para o Oceano Índico — também ali passa 15% de todos os produtos comercializados do mundo”, detalhou.
“Então, os produtos, por exemplo, que são manufaturados e vêm da China, do Vietnã, passam por ali para atingir a Europa, o Canadá e até uma parte do mercado americano”, disse.
“Assim, [o fechamento do Estreito] é uma coisa que afeta não somente o petróleo, como também as rotas mundiais de abastecimento [de produtos]”, disse.

Tendo todos esses fatores em vista, o presidente do IBP aguarda nova escalada no preço do barril de petróleo tipo Brent nos mercados nesta segunda-feira (23). Ele lembrou que, em nove dias de conflito no Oriente Médio, o preço do barril subiu cerca de dez dólares.

No fechamento da última sexta-feira (20), o petróleo tipo Brent, referência mundial, com vencimento em agosto, foi cotado a US$ 77,01 por barril na Intercontinental Exchange (ICE). Já o WTI, referência americana, com entrega prevista para julho, foi cotado a US$ 74,93 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).

Fonte: Valor Econômico

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