Produtores de cana pedem suspensão das importações brasileiras
mar, 17, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202612
O setor açucareiro da África do Sul enfrenta forte pressão devido ao aumento acentuado das importações de açúcar refinado, que estão substituindo o açúcar produzido localmente e colocando em risco empregos e economias rurais nas províncias de KwaZulu-Natal e Mpumalanga.
Dados da Receita Federal da África do Sul (Sars), monitorados pela SA Canegrowers, mostram que somente em janeiro foram registradas 24.600 toneladas de importações de açúcar transportado por rotas marítimas de longa distância, provenientes de países como Brasil, Índia e Tailândia.
Esse volume em apenas um mês superou o total importado em todos os anos de 2020, 2021 e 2022 somados.
As importações aceleraram significativamente em 2025, com quase 200 mil toneladas de açúcar refinado entrando no país, impulsionadas pelos baixos preços globais do açúcar, pela valorização do rand frente ao dólar e por proteções tarifárias consideradas insuficientes. Os dados iniciais de 2026 indicam que a tendência continua, já que os ajustes tarifários recentes não conseguiram conter o fluxo.
Confira a seguir uma série histórica dos volumes de exportação do açúcar brasileiro à África do Sul, segundo os dados da Datamar, extraídos da ferramenta DataLiner.
Exportação de Açúcar à Africa do Sul | Jan 2023 – Jan 2026 | WTMT
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
O presidente da SA Canegrowers, Higgins Mdluli, destacou a dinâmica do mercado.
“O açúcar está sendo importado por agentes oportunistas que se aproveitam do baixo preço global do açúcar e da fraca proteção tarifária local, mas que vendem esse açúcar no mercado interno a preços semelhantes ao do açúcar produzido localmente”, afirmou Mdluli.
“Os lucros ficam com os importadores e não geram economia para os consumidores sul-africanos. Isso significa que empregos estão sendo exportados às custas da indústria açucareira da África do Sul.”
Segundo ele, a substituição do produto local tem causado fortes perdas para o setor.
“Esse aumento nas importações de açúcar refinado está deslocando do mercado sul-africano o açúcar cultivado e produzido localmente”, disse.
O setor perdeu mais de 7 mil rands por tonelada de açúcar local substituído, resultando em um impacto combinado de 1,5 bilhão de rands na safra 2025/26.
Ele ressaltou que a indústria sustenta mais de um milhão de meios de subsistência e é um pilar para comunidades rurais.
Mdluli destacou a necessidade de proteções mais robustas:
“Precisamos de um sistema tarifário que garanta que a indústria doméstica possa competir com importações subsidiadas de forma injusta. Garantir um ambiente comercial justo para o açúcar produzido localmente é essencial para que o setor continue viável e apoiando produtores, trabalhadores e comunidades.”
A SA Canegrowers pediu à Comissão Internacional de Administração do Comércio (Itac) que finalize sua revisão tarifária e implemente salvaguardas adequadas.
A crise ocorre paralelamente a outros desafios, incluindo a possível liquidação da Tongaat Hulett, a única refinaria de açúcar independente da África do Sul. A empresa opera três usinas e produz açúcar branco essencial para fabricantes de alimentos e bebidas devido ao seu perfil de sabor — justamente a categoria que está inundando o mercado com importações.
Na semana passada, o ministro do Comércio, Indústria e Concorrência, Parks Tau, reuniu-se diretamente com representantes do setor açucareiro e da Itac.
Mdluli também pediu intervenção diplomática após a recente visita de Estado do presidente Cyril Ramaphosa ao Brasil.
“Após a visita de Estado ao Brasil, pedimos ao presidente Cyril Ramaphosa que discuta essa questão com o presidente Da Silva e insista para que as importações de açúcar do Brasil para a África do Sul sejam interrompidas imediatamente, já que o país é autossuficiente na produção de açúcar”, afirmou.
Ele acrescentou que resolver a crise da Tongaat Hulett é essencial para a estabilidade do setor.
“Continuamos esperançosos de que uma solução viável possa ser encontrada. No entanto, mesmo que a Tongaat Hulett seja resgatada, ela operará em um ambiente em que tarifas de importação fracas prejudicam seu negócio principal, a menos que a questão tarifária seja resolvida com urgência”, concluiu Mdluli.
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