Projeções comerciais da Argentina para 2027 indicam exportações recordes, mas superávit menor
set, 17, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202638
O orçamento da Argentina para 2027 prevê níveis recordes de exportações e importações, mas um superávit comercial menor, diante da expectativa de que o aumento da atividade econômica impulsione a demanda por bens e serviços estrangeiros.
O governo projeta exportações de bens e serviços de US$ 133,98 bilhões em 2027, alta de cerca de 7,3% em relação à estimativa para 2026. As importações devem crescer mais rapidamente, alcançando US$ 118,42 bilhões, um aumento de 9,8% sobre o valor projetado para o ano anterior.
Com isso, o superávit comercial argentino de bens e serviços está previsto em US$ 15,56 bilhões em 2027, abaixo dos US$ 16,95 bilhões estimados para 2026.
Para exportadores, armadores e operadores logísticos, as projeções apontam para mudanças no cenário comercial. A Argentina espera que as exportações continuem crescendo, sustentadas por setores como energia, mineração e agronegócio, mas o avanço mais acelerado das importações poderá reconfigurar os fluxos de cargas e reduzir o superávit externo.
Energia e mineração ganham peso nas exportações
O cenário previsto no orçamento considera que as exportações continuarão sendo um dos principais motores da atividade econômica. Essa perspectiva está ligada, em parte, a Vaca Muerta, que ainda não atingiu seu pico de produção, e à expansão da mineração, incluindo ouro, prata e lítio.
Para o mercado logístico, essa mudança é relevante porque reduz a dependência da Argentina do ritmo sazonal das exportações agrícolas. O aumento dos embarques de produtos energéticos e minerais pode gerar uma demanda mais regular por infraestrutura, armazenagem, transporte terrestre, acesso aos portos e serviços especializados de exportação.
O agronegócio continuará sendo central para o comércio exterior argentino, mas o crescimento projetado das exportações de hidrocarbonetos e minerais aponta para uma base exportadora mais diversificada. Isso poderá afetar a composição das cargas movimentadas pelos portos e corredores de transporte no interior do país nos próximos anos.
Importações devem crescer mais rapidamente
O principal motivo para a projeção de um superávit menor é o salto esperado nas importações. Uma recuperação mais forte da atividade doméstica provavelmente ampliaria as compras de bens de capital, bens intermediários, insumos e produtos de consumo.
Isso representaria uma mudança em relação a 2026, quando a fraca atividade industrial e o baixo investimento contribuíram para manter as importações contidas. O Ámbito citou análises do setor privado segundo as quais o superávit comercial de bens em 2026 poderá superar US$ 20 bilhões, sustentado por exportações firmes e uma demanda moderada por importações.
A consultoria LCG afirmou que a balança comercial argentina deverá permanecer favorável em 2026, embora o segundo semestre possa ser mais desafiador à medida que as exportações agrícolas percam força sazonal. A Abeceb também apontou o setor energético como um impulsionador estrutural das exportações, observando que a mineração deverá continuar contribuindo com ouro, prata e lítio.
Fluxos comerciais podem se tornar menos sazonais
Se os setores de energia e mineração continuarem ampliando sua participação, a logística de exportação da Argentina poderá ficar menos concentrada no calendário agrícola. Isso poderá sustentar uma demanda mais regular por portos, dutos, ferrovias, transporte rodoviário, armazenagem e serviços de navegação de longo curso.
Ao mesmo tempo, o aumento das importações ampliaria a pressão sobre as cadeias de suprimentos industriais e de cargas conteinerizadas, especialmente se houver recuperação dos investimentos e da atividade manufatureira. Um volume maior de compras externas também poderá gerar mais demanda por serviços aduaneiros, armazenagem, distribuição no interior do país e capacidade portuária.
O orçamento aponta, portanto, para dois movimentos simultâneos: as exportações devem atingir um novo recorde, mas as importações poderão crescer ainda mais rapidamente. Para o setor de comércio exterior e logística da Argentina, o resultado seria um saldo externo ainda positivo, porém com fluxos de cargas mais intensos nos dois sentidos e uma margem menor de superávit comercial.
Fonte: Ámbito Argentina
-
Carnes
set, 29, 2025
0
Efeito Dominó: Paraguai e Argentina vendem mais carne aos EUA e recorrem ao Brasil para não faltar no mercado interno
-
Portos e Terminais
nov, 06, 2023
0
PF e Receita apreendem 1,5 tonelada de cocaína em navio no Porto de Vitória
-
Economia
mar, 05, 2026
0
Governo regulamenta regras de salvaguardas em acordos comerciais
-
Grãos
mar, 21, 2024
0
No pico da safra de grãos, caminhoneiros esperam em atoleiro até três dias para entrar no Porto de Miritituba no Pará

