Protestos indígenas ocupam terminal portuário da Cargill em Santarém
fev, 23, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202609
Manifestantes indígenas ocuparam o terminal portuário fluvial da Cargill em Santarém, no estado do Pará, e “interromperam completamente” as operações no local, informou a trader norte-americana de grãos em comunicado no sábado (21 de fevereiro).
Os manifestantes forçaram os funcionários da Cargill a evacuarem o terminal privado na noite de sexta-feira, afirmou a empresa, acrescentando que está em contato com as autoridades locais para que a reintegração de posse seja realizada de forma “ordeira e segura”.
A Cargill embarcou mais de 5,5 milhões de toneladas métricas de soja e milho por Santarém no ano passado, segundo dados do setor portuário. O volume exportado, originado principalmente da região Centro-Oeste do Brasil, representou mais de 70% do total de grãos movimentados em Santarém.
A Cargill afirmou haver “fortes indícios de vandalismo e danos a ativos” no terminal.
A ocupação marca uma escalada no conflito entre os manifestantes e a empresa em torno de planos propostos para dragar rios locais, como o Tapajós, por onde grãos como soja e milho são transportados antes de chegarem aos mercados de exportação. A Cargill afirmou que não tem controle sobre os planos de dragagem dos rios.
Desde 22 de janeiro, os manifestantes vinham bloqueando o acesso de caminhões ao terminal, com impacto limitado nas operações da Cargill, já que a maior parte dos grãos chega por barcaças antes de ser transferida para navios de exportação.
Em uma carta após a ocupação, os manifestantes exigiram que o governo brasileiro reconsidere um decreto que, segundo eles, abriria os rios da Amazônia à dragagem.
“Os rios não são canais de exportação: são fonte de vida, sustento, memória e identidade para milhares de famílias”, diz a carta, acrescentando que a dragagem afetaria a qualidade da água e a pesca da qual dependem para sobreviver.
O governo brasileiro não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Anteriormente, afirmou que a dragagem é um procedimento rotineiro para garantir a navegação fluvial durante períodos de baixos níveis de água.
Reportagem de Fabio Teixeira.
Fonte: Reuters
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