Redução do calado no Canal do Panamá reacende lembranças da crise da seca
jun, 08, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202624
A Autoridade do Canal do Panamá (ACP) anunciou uma redução no calado máximo autorizado para embarcações que transitam pelas eclusas neopanamax, medida que deve reacender preocupações no setor marítimo global sobre uma possível repetição das graves interrupções causadas pela última crise de seca enfrentada pelo canal.
A partir de 3 de julho, os navios que utilizarem as eclusas neopanamax estarão limitados a um calado máximo de 49,5 pés (15,09 metros). Segundo a ACP, a decisão leva em conta os níveis atuais e projetados de água no Lago Gatún, além da possibilidade de desenvolvimento do fenômeno climático El Niño ainda este ano.
A medida faz parte da estratégia de gestão hídrica do canal e marca o retorno das restrições de calado pela primeira vez em cerca de dois anos. As autoridades do canal ressaltaram que o ajuste é preventivo e não afetará o número diário de trânsitos de embarcações.
Ainda assim, o anúncio remete à seca de 2023-2024, quando a escassez de água obrigou a imposição de restrições de trânsito e limitações de calado, reduzindo a capacidade operacional do canal em até 40% abaixo dos níveis normais no auge da crise.
Durante uma recente reunião com representantes da indústria, autoridades do canal procuraram tranquilizar os clientes, destacando que as chuvas excepcionalmente intensas registradas na última estação seca mantiveram os lagos Gatún e Alhajuela em sua capacidade máxima.
De acordo com a ACP, as atuais reservas de água oferecem uma margem de segurança considerável caso o El Niño se desenvolva no segundo semestre deste ano, e a autoridade não espera interrupções significativas antes de dezembro. As condições climáticas e as previsões hidrológicas continuam sendo monitoradas semanalmente.
Analistas da Clarksons Research afirmam que o Canal do Panamá já opera sob crescente pressão devido ao volume recorde de exportações de energia dos Estados Unidos. Os trânsitos de navios-tanque de derivados de petróleo atingiram níveis recordes em abril e maio, enquanto o aumento das exportações de gás liquefeito de petróleo (GLP) e etano intensificou a competição pelas vagas disponíveis.
Por isso, eventuais restrições futuras poderão ter impacto ainda maior do que em ciclos anteriores.
“À medida que os fluxos comerciais são remodelados pelo conflito no Oriente Médio, a situação no Panamá volta a ser acompanhada de perto”, afirmou a Clarksons em seu relatório semanal mais recente.
Sinais de congestionamento já começam a aparecer. A Clarksons estima que o tempo médio de espera para navios de carga de longo curso foi de 50 horas em abril e maio, acima das cerca de 30 horas registradas antes do recente aumento do tráfego. O número de embarcações aguardando para transitar pelo canal também cresceu significativamente.
A disputa por passagens prioritárias está se tornando cada vez mais intensa. Segundo a Clarksons, os preços médios dos leilões de vagas de trânsito triplicaram, alcançando cerca de US$ 400 mil. No mês passado, a Splash informou que algumas reservas prioritárias chegaram a ser negociadas por até US$ 4 milhões por embarcação, superando os valores registrados durante a emergência hídrica anterior.
Fonte: Splash 247
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