Rio Grande do Norte quer fazer ‘Porto-Indústria’
nov, 12, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202547
O governo do Rio Grande do Norte tenta atrair investidores privados para o projeto do Porto-Indústria Verde, que pretende construir em Caiçara do Norte (a 160 km de Natal). O terminal será voltado a operações portuárias multiuso, com ênfase em eólicas offshore, insumos industriais de baixo carbono e projetos ligados ao hidrogênio verde (H₂V), este ainda em desenvolvimento.
Nos últimos meses, a governadora Fátima Bezerra (PT) apresentou o projeto a grupos dinamarqueses, árabes e chineses, entre eles a China Communications Construction Company (CCCC).
Segundo o governo estadual, há acordos de cooperação e memorandos de entendimento firmados com grandes empresas do setor energético, e a meta é estabelecer parcerias com portos da Europa.
Em meados deste ano, Bezerra esteve na Dinamarca, onde visitou o Porto de Esbjerg, um dos principais terminais multimodais da Europa, com forte atuação na indústria offshore e em energia renovável. A agenda incluiu visita à Blue Water Shipping, uma das operadoras do porto dinamarquês, que demonstrou interesse no projeto.
Embora esses grupos ainda não tenham firmado parcerias, o governo do Rio Grande do Norte tem intensificado articulações para viabilizar a construção do terminal, estimado em mais de R$ 5 bilhões.
O estudo de viabilidade técnica da obra deve ser concluído em 2027, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). O secretário nacional de Portos, Alex Ávila, informou que estudos preliminares — que incluem alternativas tecnológicas, soluções logísticas (rodovias e ferrovias), avaliação de impactos ambientais e socioeconômicos e aspectos comerciais — já estão em andamento.
De acordo com o advogado Nilton Mattos, sócio da área de infraestrutura e energia do escritório Mattos Filho, o principal vetor que impulsiona o projeto do Porto-Indústria Verde é o potencial de geração de energia eólica.
A disponibilidade de energia limpa em larga escala, explica ele, permitiria a produção de hidrogênio verde certificado, essencial para viabilizar sua exportação a mercados como o europeu.
O Rio Grande do Norte, que já lidera a produção nacional de energia eólica onshore, agora busca expandir sua atuação para o mar, com geração offshore.
O H₂V, entretanto, ainda não é economicamente viável devido aos custos de produção. Caso as expectativas de redução desses custos se confirmem, o novo porto poderá ser fundamental para o escoamento da produção e para atrair empreendimentos ligados à energia renovável, ao aço verde e até a fertilizantes, avalia Mattos.
Imagem gerada por Inteligência Artificial
Fonte: Valor Econômico
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