Safra de milho da Argentina caminha para exportações recordes de 45 milhões de toneladas e US$ 9 bilhões em receita
jun, 18, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202625
As exportações argentinas de milho estão a caminho de estabelecer um novo recorde em volume e gerar uma das maiores entradas de divisas já registradas para a cultura, segundo fontes do setor privado.
Na temporada comercial 2024/25, a Argentina exportou 29,1 milhões de toneladas de milho, gerando US$ 6,1 bilhões. Para a temporada 2025/26, os embarques devem alcançar 45 milhões de toneladas e render US$ 9 bilhões. Isso representaria um aumento de 54,6% em volume e de 47,5% em valor.
Convertendo esse números para a realidade dos contêineres, a Argentina exportou 2.543 TEUs nos primeiros quatro meses de 2026. Confira abaixo um levantamento mês-a-mês dos dados de exportação de milho da Argentina obtidos e processados pela Datamar.
Exportação de Milho da Argentina | Jan 2023 – Abr 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
O salto projetado está ligado ao tamanho da safra. A Argentina vem produzindo grandes volumes de milho nos últimos anos, e a colheita atual deve atingir um nível recorde. A Bolsa de Comércio de Rosário estima a produção em 68 milhões de toneladas, ante pouco mais de 50 milhões de toneladas no ciclo anterior, enquanto o governo projeta 70 milhões de toneladas. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires, que prevê uma safra de 64 milhões de toneladas, informou que a colheita já alcançou 43,6% da área apta. Os produtores estão próximos de concluir a colheita da soja e devem avançar em seguida com a do milho.
Os dados oficiais dos dois primeiros meses da temporada comercial 2025/26, março e abril, já mostram um início forte.
“De acordo com dados do Indec, 9,9 milhões de toneladas de milho foram exportadas nos dois primeiros meses da temporada comercial 2025/26, um volume que supera tanto o registrado no mesmo período do ciclo anterior quanto a média dos últimos cinco anos em 3,2 milhões de toneladas”, afirmou Mateo Schildknecht, analista de grãos da consultoria AZ-Group.
O Vietnã foi o principal destino do milho argentino, com compras de 1,8 milhão de toneladas. No mesmo período da temporada anterior, as exportações para o país asiático foram 700 mil toneladas menores, disse Schildknecht. Ao longo de todo o ciclo 2024/25, a Argentina embarcou 5,3 milhões de toneladas para esse mercado.
O Egito ficou em segundo lugar, com 1,6 milhão de toneladas, seguido pelo Peru, com 870 mil toneladas. Nos últimos cinco anos, esses três mercados responderam, em média, por 16%, 6,5% e 9,6% das exportações argentinas de milho, respectivamente, segundo o analista.
Em termos de valor, as exportações nos primeiros meses da atual temporada comercial alcançaram US$ 2,072 bilhões, acima dos US$ 1,493 bilhão registrados no mesmo período do ciclo anterior.
Os exportadores já registraram Declarações Juradas de Vendas ao Exterior (DJVE) para 19 milhões de toneladas.
“Se o ritmo atual dos embarques for mantido, as exportações poderão atingir cerca de 45 milhões de toneladas ao longo de toda a campanha, estabelecendo um novo recorde histórico. Esse volume superaria a média dos últimos cinco anos em 11,8 milhões de toneladas e ultrapassaria o recorde anterior de 40,9 milhões de toneladas, alcançado na campanha 2020/21”, afirmou Schildknecht.
Embora o volume deva ser recorde, a receita não deverá atingir um novo máximo. Schildknecht projeta receitas de exportação de US$ 9 bilhões, considerando um preço FOB de US$ 200 por tonelada. Em 2020/21, preços mais elevados elevaram a receita das exportações de milho para cerca de US$ 9,4 bilhões.
Para Schildknecht, o principal fator por trás do esperado boom das exportações é a safra recorde, cujas estimativas variam entre 64 milhões e 70 milhões de toneladas, dependendo da fonte.
Eugenio Irazuegui, da Zeni, analisou os dados com base no ano-calendário, e não na temporada comercial. Segundo ele, as exportações de milho da Argentina entre janeiro e maio somaram 14,98 milhões de toneladas, acima dos 14,41 milhões de toneladas embarcados no mesmo período de 2025.
Ele destacou que o crescimento se concentrou em março, abril e maio, com a entrada da nova safra no mercado.
O milho argentino também está com preços competitivos em relação aos de outros grandes exportadores, como Brasil e Estados Unidos.
“Os preços FOB de exportação estão entre US$ 5 e US$ 10 por tonelada abaixo dos concorrentes, e a maior parte das vendas externas tem como destino compradores na Ásia”, disse Irazuegui. “O Brasil deve se tornar mais competitivo nos embarques de julho e agosto, à medida que a colheita da safrinha estiver mais disponível.”
Adaptado de La Nación
-
Portos e Terminais
ago, 01, 2023
0
Ministro Márcio França diz que obra do túnel Santos-Guarujá começará em 2024
-
Grãos
jun, 18, 2025
0
Vale obtém licença prévia para projeto de cobre em Carajás
-
Navegação
mar, 18, 2025
0
Navio-plataforma Alexandre de Gusmão chega ao Brasil e consolida atuação da SBM Offshore no país
-
Grãos
fev, 09, 2022
0
Milho: Brasil deve embarcar 521,203 mil toneladas em fevereiro, aponta Anec
