Senado pede envio de Mercosul-EFTA
mar, 31, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202614
O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), defendeu, em reunião com diplomatas e empresários da Suíça e da Noruega, que o governo brasileiro envie rapidamente ao Congresso o projeto que ratifica o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e o bloco da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). O temor é que a proximidade das eleições no Brasil e o consequente risco de paralisação do Congresso atrasem a apreciação do texto.
“Como a tramitação ainda está na mão do Executivo, todas as energias devem ser voltadas para acelerar a vinda dele [acordo Mercosul-EFTA] para o Congresso”, disse, em reunião na semana passada, segundo apurou o Valor.
Aos presentes no encontro, Trad defendeu que esta é uma pauta “leve” e “positiva”, não devendo gerar entraves nas Casas Legislativas. Assim, afirmou que agora cabe ao governo priorizar o encaminhamento da matéria ao Legislativo.
A Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) é formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein — que, juntos, somam cerca de 14 milhões de consumidores para o mercado brasileiro. O acordo com o Mercosul foi assinado em setembro do ano passado.
Dados obtidos pela Datamar revelam que, nos primeiros dois meses do ano, o Brasil importou 958 TEUs de produtos desses quatro países. Confira quais foram os produtos mais importados pelos brasileiros nesse início de 2026:
Principais Produtos Importados da EFTA | Jan-Fev 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Além dos diplomatas, a reunião teve representantes de empresas sediadas nos países da EFTA e que planejam aumentar investimentos no Brasil.
Segundo apurou o Valor, a expectativa do Executivo brasileiro é enviar o texto do Mercosul-EFTA ao Congresso até o fim de maio. Antes de ir ao Legislativo, o acordo precisa ser traduzido para os idiomas de todos os países envolvidos.
Nos últimos meses, o Congresso deu prioridade à votação do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), deixando o tratado com a EFTA de lado. Assim como o Mercosul-UE, o tratado com a EFTA precisa ser chancelado pelos congressistas brasileiros para valer internamente, embora não haja necessidade de aprovação legislativa pelos demais países do Mercosul.
Executivo espera que texto do Mercosul-EFTA vá para o Congresso até o fim de maio
A proximidade de maio, quando o texto deve chegar ao Legislativo, com o calendário eleitoral vem gerando preocupação de que a internalização do acordo fique apenas para depois das eleições, em novembro. Já a partir de junho, a Câmara dos Deputados e o Senado tendem a ficar esvaziados, com os parlamentares se dedicando às eleições nos Estados.
Segundo uma das empresas participantes da reunião, a possível demora na internalização “acaba assustando o investidor multinacional”. Os principais setores beneficiados são farmacêutico, de frutos do mar, energia e marítimo.
Os parlamentos norueguês e suíço não ratificaram o acordo até o momento. No caso dos suíços, o texto precisa, além de ser aprovado pelo Legislativo do país, passar por referendo popular.
Em nota, a embaixada da Noruega disse que está confiante em uma “ratificação célere” do acordo, com base em garantias que recebeu do governo brasileiro. Já a embaixada da Suíça afirmou que espera que o processo “avance da forma mais ágil possível, respeitando os trâmites e prazos institucionais do Brasil”. Casa Civil e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) não responderam.
Fonte: Valor Econômico
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