Super El Niño deve transformar excesso de açúcar em déficit no Brasil e na Ásia
out, 02, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202640
O El Niño atinge os maiores produtores de açúcar do mundo, expondo a forte vulnerabilidade da cultura ao fenômeno climático e dando uma prévia das ameaças mais amplas para agricultores e para a inflação global de alimentos.
No início deste ano, o mercado de açúcar enfrentava excesso de oferta, mas o El Niño provoca uma forte reversão, e muitos analistas agora esperam déficit na temporada que começa nesta semana. Os contratos futuros do açúcar bruto subiram mais de 25% desde julho.
Para o açúcar, o El Niño representa um problema específico: intensifica as chuvas nas regiões produtoras do Hemisfério Sul e acentua a seca ao norte da linha do Equador. A concentração da produção no Brasil, Índia e Tailândia — países expostos ao fenômeno climático — faz do açúcar um importante indicador dos danos mais amplos às lavouras, já que a previsão é que o El Niño só atinja o pico por volta do fim deste ano.
Confira a seguir um levantamento dos países que mais receberam cargas de açúcar brasileiro ao longo dos sete primeiros meses de 2026 por participação de mercado. Os dados são da Datamar.
Principais Destinos da Exportação de Açúcar | Jan-Jul 2026 | WTMT
Fonte: DataLiner – consulte nossos de comex
O açúcar é uma das commodities mais claramente sensíveis ao El Niño, segundo Leonardo Alencar, analista de alimentos, bebidas e agronegócio da XP Investimentos, em São Paulo. Quando o El Niño ameaça simultaneamente o desempenho da cana no Centro-Sul do Brasil e o excedente exportável da Ásia, o mercado perde as principais reservas de oferta o que, segundo ele, normalmente leva a um balanço global mais apertado, estoques menores e sustentação dos preços do açúcar.
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