Tarifaço derruba exportação da indústria
nov, 28, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202548
No terceiro trimestre de 2025, as exportações da indústria de transformação brasileira para os Estados Unidos caíram 14,5% em relação ao mesmo período de 2024, a maior queda desde a pandemia. Além de fatores de mercado — como a redução geral nas exportações de derivados de petróleo — o quadro foi influenciado pelo tarifaço imposto pelo presidente americano, Donald Trump.
O resultado contrasta com o desempenho da exportação total de bens da indústria de transformação brasileira, que cresceu 2,4% entre julho e setembro. Considerando os embarques para todos os destinos, exceto os Estados Unidos, houve alta de 5,9% nos produtos manufaturados.
Entre as quatro faixas de intensidade tecnológica usadas na classificação da OCDE, duas concentraram as perdas no comércio com os EUA no terceiro trimestre: a média tecnologia, com queda de 23,6%, e a média-baixa tecnologia, com redução de 16,5%.
Segundo levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a faixa mais atingida pela política tarifária americana foi a de média-baixa tecnologia, que representou 36,8% das exportações brasileiras de manufaturados aos EUA de janeiro a setembro. Esse grupo inclui, entre outros, vestuário, couro e calçados; madeira e móveis; alimentos; produtos de metal; derivados de petróleo e biocombustíveis.
Cagnin ressalta que muitos desses itens foram incluídos na nova lista de produtos isentos do tarifaço, anunciada pelos EUA em 20 de novembro — o que melhora as perspectivas para o setor. Contudo, como a decisão foi tomada próximo ao fim do ano, os efeitos mais claros devem aparecer somente em 2026.
A faixa de média-baixa tecnologia foi não apenas a mais penalizada pelo tarifaço, como também a que vinha apresentando desempenho superior no mercado americano durante o primeiro semestre. As exportações desse grupo para os EUA cresceram 20,6% no primeiro trimestre e 8,2% no segundo, mas despencaram 16,5% no terceiro. No acumulado do ano até setembro, ainda registram alta de 2,9%. Para o restante do mundo, porém, houve quedas nos três trimestres.
O estudo aponta que, no terceiro trimestre, a queda dos embarques aos EUA respondeu por 76% da redução total das exportações brasileiras da faixa de média-baixa tecnologia para todos os destinos. Embora tenha mantido superávit na relação bilateral, o saldo dessa categoria representou apenas 13% do observado no mesmo período de 2024.
Na faixa de média intensidade tecnológica, as exportações aos EUA caíram 23,6% no terceiro trimestre. Metalurgia e bens diversos registraram quedas de 30,2% e 24,9%, respectivamente. Juntas, a média e a média-baixa tecnologia responderam por 63% da retração total das exportações brasileiras de manufaturados aos EUA entre julho e setembro.
Na média-alta tecnologia, houve queda de 7,6% nos embarques para os EUA, puxada pelo segmento de veículos automotores, reboques e carrocerias, que caiu 23,9%. Para outros destinos, porém, as exportações dessa faixa cresceram 19,2%, impulsionadas por fatores como a estabilização da economia argentina, que aumentou a demanda por automóveis brasileiros ao longo de 2025.
A alta intensidade tecnológica foi a única faixa com crescimento das exportações aos EUA no terceiro trimestre, com alta de 4%. No primeiro e no segundo trimestres, os embarques desse grupo haviam subido 13,9% e 15,5%, respectivamente. Segundo Cagnin, “a alta tecnologia passou ilesa”. O principal item dessa faixa é a exportação de aeronaves, blindada pelo regime de isenção do tarifaço desde julho. Para o restante do mundo, as exportações desse grupo cresceram 21,2% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2024.
Fonte: Valor Econômico
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