Tarifaço freia exportações de rochas com impacto direto para o Espírito Santo
dez, 09, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202550
As tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre rochas ornamentais já provocam uma redução relevante nas exportações pelo Espírito Santo, estado responsável por cerca de 82% das exportações brasileiras de rochas para o mercado norte-americano, segundo dados da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas).
No Terminal Portuário de Vila Velha (TVV), principal porta de saída das rochas capixabas, o impacto aparece tanto no acumulado do ano quanto na média mensal após o anúncio das medidas. Com o objetivo de contornar os impactos da retração, o terminal tem acelerado a diversificação de cargas, com avanço de operações de carga geral, projetos especiais e granéis.
Atualmente, o TVV conta com forte atuação em operações de rochas ornamentais, especialmente granito. Segundo dados do terminal, cerca de 48% de toda a exportação movimentada pelo terminal para o mercado estadunidense é composta por rochas ornamentais, e mais de 95% do volume exportado desse tipo de carga pelo Espírito Santo passa pelo TVV. Essa concentração explica por que os efeitos do tarifaço se propagam com rapidez no estado, que concentra beneficiamento e acabamento de rochas antes do envio ao exterior.
De acordo com Gustavo Paixão, Diretor de Terminais da Log-In Logística Integrada, o recuo do granito ficou nítido na comparação anual e se intensificou no segundo semestre. “Se analisarmos o acumulado até setembro, estamos 22% abaixo na movimentação de rochas. Mas entre os meses de agosto e setembro, depois do tarifaço, a média mensal passou a 40% abaixo do que vínhamos fazendo no mesmo período do ano anterior”, afirma. Paixão acrescenta, ainda, que o terminal registrou meses melhores no início de 2025, mas a retração ganhou força após a mudança tarifária, alterando a curva histórica de embarques.
Além do efeito direto das tarifas, o terminal aponta que a classificação de parte das cargas ampliou o impacto inicial. Produtos como quartzito ficariam fora da tarifação formal, mas acabaram atingidos por serem registrados como granito. “Houve uma distorção importante pois nem tudo é granito e nem tudo está sujeito à mesma tarifa. O setor começou um esforço de reclassificação e isso não é rápido, mas já vemos sinais de ajuste”, diz Paixão.
Apesar de o governo norte-americano ter revisto parte das medidas e incluído o café na lista de redução das tarifas, o efeito sobre o Espírito Santo é residual do ponto de vista portuário. Segundo Paixão, o café representa uma parcela pequena da exportação movimentada pelo terminal e não figura entre as principais cargas com destino aos EUA. “O café tem peso pequeno aqui no terminal e aparece mais distribuído em outros mercados. A dinâmica atual do TVV está muito mais ligada às rochas”, explica.
Abertura para novos negócios
Mesmo com perda na principal carga de margem, a queda liberou capacidade operacional e abriu espaço para novos negócios. Paixão afirma que o terminal aproveitou a janela para fortalecer carga geral e projetos especiais, segmentos que haviam perdido presença em 2024 por conta da alta ocupação e do ciclo de retrofit. “Com menos contêiner cheio, conseguimos abrir pátio e berço para outras operações. Voltamos a operar fortemente a carga geral e isso tem superado o que estava previsto inicialmente”, comenta.
A diversificação também inclui granéis e a possibilidade de operar navios sem guindaste de bordo, que passaram a ser atendidos com regularidade nos berços públicos da Autoridade Portuária, após os recentes investimentos em novos equipamentos. Segundo Paixão, esse movimento reforça a estratégia de ampliar o portfólio de operações e aprimorar o perfil multipropósito do terminal e do Complexo Portuário de Vitória
No comércio internacional, a avaliação do executivo é de que não há previsibilidade de reversão rápida do tarifaço. “A negociação com os EUA segue em curso, mas o segmento também está se movimentando para abrir novos destinos. O Oriente Médio entrou no radar como mercado com demanda e ainda pouco explorado para as rochas brasileiras”, explica.
Nesse contexto, o TVV tem o importante papel de garantir infraestrutura e capacidade de resposta caso os volumes retornem, além de oferecer alternativas logísticas para novas cargas. “A negociação comercial permanece entre exportadores, entidades setoriais e compradores internacionais. Para o terminal, a diversificação iniciada em 2025 tende a continuar mesmo com eventual retomada do granito, como forma de reduzir exposição a choques externos e sustentar crescimento em segmentos menos concentrados”, finaliza o executivo.
Fonte: Log-In Logistica
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