Tilápia pode perder até 90% das exportações brasileiras com possível mudança de classificação ambiental
maio, 20, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202621
A possível inclusão da tilápia na lista de espécies exóticas invasoras no Brasil acendeu um sinal de alerta no setor aquícola nacional. A proposta será analisada pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) no próximo dia 27 de maio e já provoca forte preocupação entre produtores, exportadores e entidades do segmento.
Segundo análise técnica divulgada pela PEIXE BR, a medida pode comprometer severamente as exportações brasileiras de tilápia, além de gerar impactos econômicos e comerciais em toda a cadeia da aquicultura.
O estudo aponta que a eventual classificação da espécie como invasora poderá ser interpretada internacionalmente como um reconhecimento oficial de risco ambiental pelo próprio governo brasileiro. Na avaliação da entidade, isso abriria espaço para restrições sanitárias, comerciais e ambientais em mercados estratégicos para o pescado brasileiro.
Confira a seguir o histórico das exportações de tilápia do Brasil, segundo os dados de movimentação de contêineres da Datamar.
Exportações de Tilápia | Jan 2023 – Mar 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Estados Unidos concentram maior parte das exportações de tilápia brasileira
Atualmente, os Estados Unidos são o principal destino da tilápia produzida no Brasil. Cerca de 85% das exportações nacionais da espécie seguem para o mercado norte-americano, movimentando aproximadamente US$ 35 milhões por ano.
A preocupação do setor é que uma mudança regulatória no Brasil afete diretamente a confiança internacional sobre a produção aquícola nacional, elevando barreiras comerciais e aumentando exigências ambientais e sanitárias.
De acordo com o presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, existe um precedente internacional considerado preocupante pelo setor.
“Em 2010, os Estados Unidos classificaram a carpa asiática como espécie invasora. Como consequência, as exportações chinesas da espécie registraram queda de aproximadamente 97% em apenas um ano, sem recuperação posterior do mercado”, destacou o dirigente.
Estudo projeta perdas milionárias para a aquicultura brasileira
Com base nesse cenário internacional, a análise técnica da entidade estima que a classificação da tilápia como espécie invasora poderia provocar uma redução de até 90% nas exportações brasileiras da espécie em um prazo de apenas seis meses.
O impacto financeiro direto projetado ultrapassa US$ 38 milhões somente para a cadeia produtiva da tilápia.
Além disso, a entidade alerta para um possível efeito cascata sobre outros segmentos da aquicultura brasileira. A projeção considera perdas anuais próximas de US$ 64 milhões para o setor exportador de pescados como um todo.
Espécies nativas também podem ser afetadas
O documento destaca que espécies nativas brasileiras, como tambaqui e pintado, também podem sofrer reflexos indiretos da medida. Isso porque o aumento das auditorias internacionais e o endurecimento de critérios ambientais podem atingir toda a imagem da aquicultura nacional perante compradores internacionais.
Outro ponto considerado sensível pelo setor envolve as certificações internacionais utilizadas pela cadeia produtiva. Selos como Best Aquaculture Practices, Aquaculture Stewardship Council e Global G.A.P. possuem critérios rigorosos relacionados ao manejo ambiental e ao controle de espécies, o que pode ampliar os desafios para produtores brasileiros.
Setor teme insegurança jurídica e perda de competitividade
Representantes da cadeia aquícola afirmam que a eventual mudança de classificação poderá aumentar a insegurança jurídica para produtores, frigoríficos, exportadores e investidores ligados ao setor.
Além do impacto comercial, o segmento teme perda de competitividade frente a países concorrentes no mercado internacional de pescado, justamente em um momento de expansão da piscicultura brasileira e de crescimento das exportações de tilápia.
A decisão da Conabio é acompanhada de perto pelo setor produtivo, que defende maior equilíbrio entre preservação ambiental, segurança regulatória e desenvolvimento econômico da aquicultura nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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