Tráfego diminui no Estreito de Ormuz com aumento das tensões envolvendo o Irã
jul, 10, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202628
Navios-tanque de gás natural liquefeito (GNL) atravessaram o Estreito de Ormuz nos últimos dias, segundo dados de rastreamento marítimo, e 22 embarcações ligadas ao Japão deixaram o Golfo desde terça-feira. Ainda assim, o tráfego diário total diminuiu à medida que aumentam as tensões no Oriente Médio.
Empresas de navegação e governos acompanham de perto a situação no Estreito de Ormuz após os ataques iranianos desta semana contra embarcações comerciais e os ataques de retaliação dos Estados Unidos contra o Irã.
Dados da Kpler e da LSEG mostram que pelo menos cinco navios-tanque de GNL sem carga entraram recentemente no estreito. Entre eles estão o GasLog Shanghai, controlado pela empresa grega GasLog, e os navios ligados à QatarEnergy Al Samriya, Al Dafna, Al Gattara e Al Rayyan.
Os dados indicam que o GasLog Shanghai e o Al Rayyan provavelmente entraram no estreito durante a noite, após terem sido vistos fora da hidrovia em 9 de julho.
As outras três embarcações ligadas à QatarEnergy haviam sido vistas pela última vez fora do Estreito de Ormuz, na costa oeste da Índia, há várias semanas. Os navios Al Samriya e Al Gattara foram observados pela última vez entre 18 e 19 de junho, enquanto o Al Dafna foi visto em 29 de junho.
A QatarEnergy e a GasLog não responderam imediatamente aos pedidos de comentário fora do horário comercial.
Na quinta-feira, o petroleiro de grande porte (VLCC) Nissos Kea entrou no estreito, enquanto o VLCC Lila Vadinar deixou a região.
“O que mudou agora, em comparação com o início do conflito, é que o Irã está atacando embarcações que utilizam a rota de Omã, em vez de atingir todos os navios. Isso significa que as embarcações tenderão cada vez mais a utilizar a rota iraniana ou navegar com os sistemas de rastreamento desligados durante a travessia do estreito”, afirmou Xavier Tang, analista sênior de mercado da Vortexa.
Dificuldade para rastrear embarcações
Fontes da indústria marítima afirmaram que um número crescente de embarcações está desligando seus transponders públicos do sistema AIS, dificultando a identificação de todos os navios que cruzam a região.
Uma análise da Kpler baseada nas embarcações que ainda podem ser monitoradas mostrou que o tráfego diário de navios-tanque de petróleo e GNL caiu na quinta-feira para o menor nível desde 28 de junho: apenas 10 embarcações atravessaram o estreito, contra 14 na quarta-feira e 22 na segunda-feira.
Nas últimas duas semanas, o tráfego diário havia atingido seu maior nível desde o início dos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel na guerra contra o Irã, no fim de fevereiro, com média de 40 embarcações cruzando o estreito por dia. Ainda assim, esse número permanece muito abaixo da média anterior ao conflito, de 125 a 140 travessias diárias.
Algumas seguradoras especializadas em riscos de guerra recomendaram nesta semana que armadores suspendessem temporariamente as viagens após os ataques contra navios-tanque, provocando uma nova alta nos prêmios do seguro de guerra.
“As taxas voltaram a subir após os ataques iranianos contra embarcações na região, e é improvável que recuem até que o mercado acredite de fato que o ambiente de risco mudou”, afirmou Marcus Baker, diretor global da área marítima da corretora e gestora de riscos Marsh.
Apenas quatro embarcações ligadas ao Japão permanecem no Golfo
Vinte e duas embarcações ligadas ao Japão, incluindo seis grandes petroleiros, atravessaram o Estreito de Ormuz entre os dias 7 e 9 de julho para deixar a região, restando apenas quatro navios japoneses no Golfo, informou o ministro dos Transportes do Japão, Yasushi Kaneko, durante entrevista coletiva nesta sexta-feira.
Questionado sobre as medidas adotadas para garantir a segurança das embarcações, um representante da divisão de transporte marítimo internacional do ministério recusou-se a comentar, alegando razões de segurança.
Segundo um porta-voz da Associação dos Armadores do Japão, o número de embarcações ligadas ao país no Golfo caiu de 45, com cerca de 1.100 tripulantes no início do conflito, para apenas quatro navios, com aproximadamente 100 tripulantes.
Fonte: Reuters
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