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Transcrição do VDR (gravador de dados de viagem) do porta-contêineres Dali é divulgada

jun, 04, 2025 Postado porSylvia Schandert

Semana202523

O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) divulgou a transcrição de áudio do gravador de dados de viagem (VDR) do navio porta-contêineres Dali, referente à noite de 26 de março do ano passado, quando a embarcação colidiu com a maior ponte de Baltimore, em um dos acidentes marítimos de maior repercussão da década até agora.

Os minutos que antecederam a colisão catastrófica do Dali com a ponte Francis Scott Key envolveram uma série de manobras de navegação rotineiras, dificuldades técnicas e, por fim, uma falha crítica que culminou no acidente.

Às 01:24:59, após sair do terminal Seagirt Marine, em Baltimore, com dois práticos a bordo, um circuito automático de troca de energia foi acionado, seguido quase instantaneamente por vários alarmes altos na ponte — sinal claro de uma falha elétrica crítica. Esse foi o início do primeiro blecaute que levaria à colisão com a ponte e à morte de seis trabalhadores que realizavam reparos na estrutura naquela noite. O VDR registrou um palavrão do prático principal e um chamado de alerta do comandante, confirmando um problema súbito.

Horas antes, o navio já havia sofrido falhas elétricas semelhantes enquanto estava atracado.

Embora o leme parecesse funcional inicialmente — o timoneiro respondia aos comandos —, surgiram dúvidas quanto à confiabilidade do sistema. O comandante e o prático começaram a emitir instruções urgentes: checar a prontidão da tripulação na proa e tentar avaliar a perda de energia. O prático em treinamento iniciou chamadas de emergência pelo rádio para pedir assistência de rebocadores e alertar as autoridades.

Em questão de segundos, o prático ordenou o fechamento da ponte Key e entrou em contato com o despachante da Associação de Práticos de Maryland. Ao mesmo tempo, tentou contato com rebocadores pelo canal VHF 14, enquanto gritava ordens para lançar a âncora de bombordo. O comandante repetiu os comandos, e a tripulação na proa teve dificuldades para executar a manobra, alegando resistência mecânica.

Às 01:27:25, o prático em treinamento fez um chamado de segurança: “O navio porta-contêineres Dali perdeu energia, aproximando-se da ponte Key.” Pouco depois, o prático gritou: “Temos propulsor de proa?” A equipe respondeu inicialmente que sim, mas segundos depois corrigiu: “não está funcionando.”

Às 01:28:59, o VDR registrou o som da corrente da âncora — possivelmente a última tentativa desesperada de parar o navio. Apenas segundos depois, às 01:29:15, o som de um estrondo massivo foi gravado — o colapso da ponte Francis Scott Key. A equipe da ponte reagiu com choque e palavrões, conforme mostra a transcrição. O prático e o prático em treinamento imediatamente emitiram chamados de emergência ao estilo “mayday” para a Guarda Costeira, informando sobre a queda da ponte e solicitando assistência imediata.

Após a colisão, alarmes soaram por todo o navio. A tripulação confirmou que não havia feridos a bordo e iniciou verificações por danos estruturais e vazamentos. Os práticos confirmaram que estavam operando sob procedimentos padrão quando o blecaute ocorreu, afirmando que a direção e a velocidade estavam normais até a perda de energia. A atenção passou então à segurança, resposta emergencial e coordenação com a Guarda Costeira dos EUA.

A sequência revela uma falha catastrófica e súbita — provavelmente elétrica — após uma partida rotineira e bem coordenada. Apesar das reações rápidas, a tripulação e os práticos não conseguiram evitar a colisão devido a falhas em cascata nos sistemas de propulsão e manobra.

Em maio do ano passado, o NTSB divulgou um relatório preliminar sobre a colisão fatal do Dali com a ponte de Baltimore.

A embarcação, afretada pela Maersk, sofreu blecautes cerca de 10 horas antes de deixar o porto de Baltimore e novamente pouco antes de atingir a ponte nas primeiras horas de 26 de março, segundo o relatório. As toneladas da estrutura desabada ficaram presas à proa do navio.

O conselho apontou que a falha fatal ocorreu cerca de quatro minutos antes do impacto, quando disjuntores elétricos desarmaram inesperadamente, cortando a energia de toda a iluminação e da maior parte dos equipamentos da embarcação, quando ela estava a 1 km da ponte.

A tripulação do Dali conseguiu restaurar a energia, mas outro blecaute aconteceu a cerca de 320 metros da ponte, paralisando as três bombas de direção. A tripulação não conseguiu mover o leme para desviar a embarcação.

Estão sendo elaborados planos para reconstruir a ponte até 2028, enquanto seguradoras alertam que o acidente com o Dali pode gerar uma das maiores indenizações marítimas da história.

Espera-se que as ações judiciais envolvendo o acidente se arrastem por muitos anos, com custos estimados em centenas de milhões de dólares.

Leitores podem acessar a transcrição completa do VDR do Dali [aqui].

Fonte: Splash 247

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