Tributação de remessas internacionais preocupa entidades do algodão e do setor têxtil
abr, 08, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202615
A possível revisão da tributação de remessas internacionais de até US$ 50 acendeu um alerta entre entidades ligadas ao algodão, que veem risco de aumento da entrada de produtos têxteis importados no Brasil e de maior pressão sobre a indústria nacional. Em nota divulgada em 7 de abril, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (ANEA) afirmaram que uma eventual redução ou extinção dessa cobrança pode comprometer as condições de competitividade da cadeia têxtil brasileira.
Segundo as entidades, a discussão sobre a tributação de remessas internacionais se conecta não apenas ao ambiente concorrencial, mas também a efeitos econômicos, ambientais e sociais. A posição das duas associações está alinhada a manifestações já feitas pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e pela Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX).
Importações ganham espaço
Abrapa e ANEA afirmam que o avanço das importações vem alterando o perfil do mercado têxtil brasileiro. De acordo com os dados citados na nota, as importações do setor passaram de cerca de 1,1 milhão de toneladas em 2015 para mais de 2 milhões de toneladas em 2024, considerando fibras, fios, tecidos e confecções. Desse total, aproximadamente 94% correspondem a fibras sintéticas e artificiais, enquanto algodão e outras fibras naturais representam menos de 6%.
Na avaliação das entidades, esse movimento ajuda a explicar a mudança no padrão de consumo de têxteis no país. A participação das fibras naturais nos produtos acabados consumidos no Brasil caiu de 42% para 27%, enquanto o consumo de fibras sintéticas avançou quase 70%, impulsionado principalmente pelas importações.
Dados da Datamar mostram que, entre janeiro e fevereiro de 2026, o Brasil importou 38 TEUs de algodão (aumento de 372,9% em relação ao mesmo período do ano anterior). O gráfico a seguir detalha mais desse movimento.
Importação de Algodão | Jan 2023 – Fev 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Debate sobre tributação de remessas internacionais envolve meio ambiente
A nota sustenta que o debate sobre a tributação de remessas internacionais também precisa considerar impactos ambientais. Segundo as entidades, o Brasil importou cerca de 3,3 milhões de toneladas de resinas plásticas em 2025, insumo usado na produção de fibras sintéticas amplamente associadas ao modelo de fast fashion. Abrapa e ANEA argumentam que a ampliação desse fluxo tende a elevar a geração de resíduos persistentes e microplásticos.
O texto cita ainda estimativa segundo a qual cerca de 35% dos microplásticos presentes nos oceanos têm origem em têxteis sintéticos. As entidades também mencionam estudos recentes que apontam possíveis riscos à saúde humana ligados à presença de microplásticos no organismo, com associações a processos inflamatórios, doenças cardiovasculares e impactos sobre os sistemas imunológico e endócrino.
Pressão sobre emprego e valor agregado
No campo econômico e social, Abrapa e ANEA afirmam que mudanças na tributação de remessas internacionais podem pressionar a indústria têxtil nacional e reduzir o valor agregado do algodão brasileiro. Segundo a nota, o complexo algodão-têxtil responde por cerca de 1,3 milhão de empregos formais e 8 milhões indiretos no país, sendo aproximadamente 60% dessas vagas ocupadas por mulheres.
As entidades defendem que o tema seja tratado com visão de longo prazo, levando em conta os efeitos sobre a economia, a estrutura produtiva, o emprego e a sustentabilidade da cadeia. Na avaliação de Abrapa e ANEA, preservar condições equilibradas de concorrência é essencial para fortalecer a indústria nacional e evitar distorções adicionais no mercado.
Fonte: Abrapa
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