Túnel entre Santos e Guarujá deve ter assinatura de contrato para obras até janeiro; veja os prazos previstos
out, 15, 2025 Postado porSylvia SchandertSemana202543
Representantes da empresa Mota-Engil, que venceu em setembro o leilão para fazer as obras do túnel imerso Santos–Guarujá, acreditam que o início dos trabalhos será entre o fim do ano que vem e o começo de 2027.
A estimativa foi dada em reunião com autoridades da região na semana passada. Eles disseram que a assinatura do contrato com o Governo do Estado deve ser efetivada entre 15 de dezembro deste ano e 15 de janeiro de 2026, conforme apurou A Tribuna.
A expectativa dos governos Estadual e Federal era de que o contrato pudesse ser assinado ainda este ano e as obras tivessem início no começo de 2026.
Em nota, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), informa que o processo da Parceria Público-Privada (PPP) do túnel Santos–Guarujá “segue dentro do cronograma”.
Segundo a SPI, a fase recursal foi encerrada sem a apresentação de recursos, e o processo avança para homologação e adjudicação — “etapa em que o governo confirma oficialmente a empresa vencedora e autoriza a assinatura do contrato”.
O Estado afirma que mantém diálogo permanente com os órgãos e entidades envolvidos “para garantir transparência e previsibilidade em todas as etapas do projeto”.
Encontro
A Autoridade Portuária de Santos (APS) explicou, em nota, que na última quinta-feira cedeu o espaço em sua sede para que a Mota-Engil apresentasse o projeto às partes envolvidas. “A APS ofereceu uma sala para a construtora, até para facilitar a troca de informações com o Comitê Regional Permanente de Monitoramento de Impactos Ambientais, estabelecido pela Autoridade Portuária.”
Além de representantes da futura concessionária e do presidente da APS, Anderson Pomini, participaram do encontro os prefeitos de Guarujá, Farid Madi (Podemos), e de Santos, Rogério Santos (Republicanos).
Nenhum representante do Governo do Estado esteve na reunião.
A SPI e a Agência Reguladora de Transportes de São Paulo (Artesp) são os dois órgãos estaduais que vêm conduzindo diretamente o projeto e o processo licitatório da ligação seca Santos–Guarujá.
Mão de obra local
Em nota, a Prefeitura de Guarujá informou que, na reunião, o prefeito Farid Madi pediu à empresa prioridade na contratação de trabalhadores locais para a construção do túnel e a oferta de cursos de qualificação para o aproveitamento da mão de obra da cidade.
O prefeito confirmou que o canteiro de obras será instalado no Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, em local ainda a ser definido.“A decisão final deverá ficar para depois da assinatura do contrato com a Mota-Engil”, disse.“Estamos atentos para que possamos mitigar os impactos estruturais e sociais que surgirão até o final do projeto”, ressaltou Farid.
A Administração de Guarujá informou ainda que “as prefeituras de Guarujá e Santos, além da APS, receberam da Mota-Engil o compromisso de compartilhamento das informações, com a garantia de preocupação com os prazos e providências com relação ao canteiro de obras, ao impacto geológico e ao desenvolvimento socioeconômico do entorno”.
A Prefeitura de Santos diz que reafirmou ao grupo Mota-Engil a necessidade de capacitação e contratação de mão de obra local para a construção do túnel e de garantia de definição de um traçado que preveja o menor impacto possível à população dos bairros do entorno — tanto sobre desapropriações quanto sobre a circulação de caminhões durante as obras.
“A Administração ainda pleiteou que a empresa apresente e execute soluções para minimizar o aumento do fluxo de veículos em direção à área de acesso ao túnel, preservando a qualidade ambiental e de vida das pessoas daquela região da cidade.”
Para A Tribuna, a Mota-Engil disse que detalhes da obra só serão divulgados após a assinatura do contrato.
Dique seco
Em setembro deste ano, o presidente da APS, Anderson Pomini, comentou que uma área pertencente ao Porto, abaixo do Linhão, em Vicente de Carvalho, seria ideal para a construção do dique seco. “É o que indicam os estudos, mas a empresa concessionária dará a palavra final. Ela pode sugerir outra área, desde que respeite o orçamento que é conhecido por todos”, afirmou na época.
O túnel Santos–Guarujá é uma obra avaliada em R$ 6,8 bilhões, sendo que R$ 5,14 bilhões serão custeados meio a meio entre a União e o Governo Paulista.
A Mota-Engil venceu o leilão do túnel no último dia 5 de setembro, na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), oferecendo um desconto de 0,5% no valor da contraprestação pública máxima de R$ 438,4 milhões mensais.
O contrato para construção, operação e exploração terá vigência de 30 anos.
Fonte: A Tribuna
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