UE se aproxima do Brasil em busca de minerais críticos e trata país como parceiro estratégico
jun, 23, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202626
A União Europeia vê o Brasil como um parceiro estratégico na corrida global por minerais críticos e quer ampliar a cooperação com o país para diversificar suas fontes de abastecimento. Em troca, oferece um acordo que, segundo Bruxelas, pode contribuir para os objetivos brasileiros de desenvolvimento, afirmou à Reuters neste sábado (20) o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Sikela.
Durante visita ao centro de pesquisa e processamento de terras raras da australiana Viridis Mining and Minerals, em Poços de Caldas (MG), Sikela destacou que o projeto está entre os quatro escolhidos como prioridade para acelerar a cooperação entre Brasil e União Europeia.
Segundo o comissário, a proposta europeia combina investimentos sustentáveis com incentivo ao processamento local de terras raras — em linha com a estratégia brasileira de exportar minerais com maior valor agregado, em vez de apenas matéria-prima. O país detém a segunda maior reserva mundial de minerais críticos.
“O mais importante é que o Brasil deixe de atuar em segmentos de baixa margem e passe a gerar valor aqui dentro do país”, disse Sikela, ao destacar que o Brasil hoje é o parceiro mais estratégico da União Europeia na América Latina e uma economia em expansão.
Na prática, disse ele, a parceria permitiria à UE garantir fornecimento por meio de contratos de compra, ao mesmo tempo em que ajudaria o Brasil a ampliar sua capacidade de refino, acessar novas tecnologias e avançar na cadeia produtiva, migrando para etapas de maior rentabilidade.
O projeto-piloto da Viridis em Minas Gerais, inaugurado em maio, tem capacidade para processar 100 quilos de minério por hora e produzir até 2,92 quilos anuais de carbonato misto de terras raras (MREC).
A empresa prevê investir US$ 360 milhões em uma planta comercial com capacidade para produzir 15 mil toneladas de MREC por ano a partir de 2028. O projeto abrange 228,62 quilômetros quadrados de licenças minerárias em Minas Gerais.
“É por isso que gosto tanto desse projeto da Viridis: ele entrega exatamente o que buscamos. Gera empregos, cria novas parcerias, traz tecnologia, educação e transferência de conhecimento, tudo com base nos padrões ambientais, sociais e técnicos mais avançados”, afirmou Sikela.
Acordo pode sair em breve
O comissário também mencionou a carta de intenções, sem caráter vinculante, assinada neste mês entre a Viridis e a belga Solvay para o fornecimento de MREC. Segundo ele, essa aproximação pode evoluir para uma parceria mais ampla, incluindo apoio tecnológico no processamento do material.
O CEO da Viridis, Rafael Moreno, disse à Reuters que as conversas com a União Europeia estão em estágio avançado e que um acordo com a Solvay pode ser fechado até o fim de julho.
O avanço da Viridis no Brasil ocorre em meio à disputa global por terras raras e minerais críticos, num momento em que Europa e Estados Unidos tentam reduzir a dependência da China, hoje a principal produtora desses insumos, fundamentais para veículos elétricos e sistemas de defesa.
Questionado sobre esse cenário, Sikela afirmou que a estratégia europeia busca reduzir dependências nas cadeias globais de suprimento após choques como a pandemia e a guerra na Ucrânia. Ressaltou, porém, que a preocupação europeia vai além da China.
Ele acrescentou que a UE também considera prioritários no Brasil projetos ligados a outros minerais críticos, como níquel e lítio, e indicou a intenção de avançar em um memorando de entendimento com o governo brasileiro — ainda em fase de negociação.
Ao ser perguntado se a Europa entrou tarde na disputa por ativos minerais no país, Sikela respondeu que a proposta europeia é mais vantajosa do que a de outros concorrentes, citando sustentabilidade, geração de empregos e formação profissional como diferenciais.
Moreno afirmou que a empresa está alinhada às diretrizes europeias de diversificação da cadeia de suprimento de terras raras e defende uma estratégia aberta a parceiros de diferentes regiões.
No fim do mês passado, ele já havia dito à Reuters que a Viridis mantinha negociações avançadas com potenciais compradores na Europa e nos Estados Unidos.
Fonte: Reuters
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