UE se prepara para novo embate com os EUA sobre taxa de carbono no transporte marítimo
abr, 24, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202617
Os países da União Europeia concordaram, em 24 de abril, em manter a pressão por um preço global para as emissões de CO₂ do transporte marítimo nas negociações da ONU da próxima semana, sinalizando um novo possível confronto com os Estados Unidos sobre a proposta.
Os governos na Organização Marítima Internacional (IMO) decidiram no ano passado adiar o plano climático por um ano, após a administração Trump se opor firmemente à medida e ameaçar impor sanções e restrições de visto a delegados que a apoiassem.
Ainda assim, os países europeus seguem tentando retomar a proposta, segundo a posição de negociação da UE para as conversas da IMO da próxima semana, obtida pela Reuters.
De acordo com o documento, os países da UE “devem se opor a qualquer tentativa” de retirar as medidas climáticas da pauta das negociações.
O texto também indica que o bloco está disposto a considerar ajustes no plano original de precificação de carbono, caso isso ajude a ampliar o apoio. Mesmo assim, autoridades europeias demonstram pessimismo quanto à possibilidade de um acordo de compromisso, diante da forte resistência dos Estados Unidos.
Na reunião de outubro, um total de 57 países — incluindo a China e importantes bandeiras de navegação, como a Libéria — votaram pelo adiamento da taxa de carbono, contra 49 que defendiam um acordo imediato.
Entre os apoiadores da proposta estavam países europeus, o Brasil e pequenas nações insulares vulneráveis às mudanças climáticas.
Uma coalizão formada pelos três maiores registros de navios do mundo — Libéria, Panamá e Ilhas Marshall —, além de empresas de transporte de petróleo como a saudita Bahri, pediu que os membros da IMO considerem alternativas ao modelo original na reunião da próxima semana.
“O apoio ao modelo, em sua forma atual, vem se deteriorando desde a reunião da IMO no ano passado”, afirmaram em comunicado.
A decisão da IMO no ano passado também expôs divisões dentro da UE. Grécia e Chipre — ambos com grandes indústrias marítimas — se abstiveram na votação, em vez de apoiar a proposta climática do bloco.
Além disso, Grécia, Malta e Itália não endossaram a nova posição de negociação da UE, que foi aprovada por maioria reforçada entre os países do bloco, segundo autoridades.
Fonte: Reuters
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