União Europeia divulga novas cotas de importação de aço para proteger indústria
jun, 30, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202627
A Comissão Europeia anunciou novas cotas para limitar as importações de aço com isenção tarifária na União Europeia, em uma medida destinada a proteger a indústria siderúrgica do bloco e elevar a utilização de sua capacidade produtiva.
Pelas novas regras, as cotas anuais de importação livres de tarifas serão reduzidas em 47%, passando para 18,3 milhões de toneladas métricas. Além disso, será aplicada uma tarifa de 50% sobre as importações que excederem as cotas em 26 categorias de produtos siderúrgicos.
As regras entram em vigor nesta quarta-feira e têm como objetivo elevar a utilização da capacidade da indústria siderúrgica europeia para 80%, informou a Comissão Europeia.
A associação europeia do setor siderúrgico, Eurofer, no entanto, avalia que a mudança deverá elevar a utilização da capacidade para apenas 73% a 75%, ante cerca de 67% atualmente, devido à fraqueza da demanda.
Segundo o diretor-geral da Eurofer, Axel Eggert, as siderúrgicas europeias poderão recuperar cerca de 15 milhões de toneladas de produção — aproximadamente metade do volume perdido nos últimos anos.
Metade das cotas de importação será reservada exclusivamente aos países que possuem acordos de livre comércio (FTAs) com a União Europeia. A outra metade ficará disponível para todos os parceiros comerciais, inclusive aqueles que já mantêm esses acordos.
A Comissão informou ainda que muitos desses parceiros receberão cotas específicas por país, proporcionais aos volumes historicamente exportados.
“A maioria dos parceiros da UE com acordos de livre comércio verá, portanto, uma redução de acesso ao mercado significativamente inferior à redução média de 47% prevista pelo regulamento do aço”, afirmou a Comissão.
Segundo o órgão, um “número significativo” de parceiros comerciais já concordou provisoriamente com essa distribuição de cotas.
A Comissão Europeia afirmou que as novas regras são necessárias para proteger a indústria siderúrgica do bloco da sobrecapacidade global e das práticas de dumping.
“A persistente sobrecapacidade global no setor siderúrgico continua sendo um problema sério em nível mundial e segue distorcendo os mercados internacionais”, destacou.
“A medida restabelece a concorrência leal em um mercado afetado por distorções ligadas à sobrecapacidade”, acrescentou.
Para Axel Eggert, da Eurofer, o impacto das medidas poderá ser ainda maior caso elas sejam estendidas aos setores industriais que utilizam aço como matéria-prima, como empresas de laminação e fabricantes de componentes estampados para a indústria automobilística.
Fonte: Reuters
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