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União Europeia faz recall de carne bovina exportada pela JBS

dez, 10, 2025 Postado porSylvia Schandert

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Lotes de carne bovina que brasileira JBS exportou para a Europa foram alvo de recall na União Europeia após suspeita de que as cargas teriam resíduos de estradiol, um hormônio reprodutivo utilizado na fertilização de fêmeas, que é proibido no bloco.

A Comissão Europeia determinou a retirada da carne do varejo em meados de novembro, e a comercialização do produto segue proibida. A carga era proveniente de uma unidade da JBS em Campo Grande.

O Ministério da Agricultura do Brasil enviou ofícios ao Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa) de Campo Grande para informar que Itália, Holanda e Espanha haviam feito notificações sobre as suspeitas.

“Recebemos, por meio da notificação (…), a comunicação de suspeita de carga de carne congelada de bovino sem osso de animais tratados (com estradiol) produzida pelo estabelecimento JBS S/A, sob SIF 1662”, dizem os documentos, aos quais o Valor teve acesso.

Nos ofícios, o ministério ressaltou que a notificação europeia tinha relação com “falha observada pelos auditores europeus em recente auditoria realizada no Brasil”. A Pasta solicitou ao Sipoa que pedisse uma investigação sobre as causas e um plano de ação para controle.

O que diz a JBS
A JBS afirmou ao Valor que a carga de 20 toneladas de carne que exportou à UE era proveniente de animais fornecidos por uma fazenda do Estado e que foram abatidos em maio e julho. Em outubro, “uma auditoria realizada pelo Mapa [Ministério da Agricultura] na fazenda fornecedora detectou uma divergência de informação sobre o uso do hormônio estradiol, posteriormente informada à UE pelas autoridades brasileiras”, disse a empresa, em nota.

A Comissão Europeia, então, solicitou o recall cumprindo seus protocolos, uma vez que não ocorreram testes nas cargas, disse uma fonte a par do assunto ao Valor.

“A JBS identificou os lotes exportados para adoção de medidas cabíveis. A companhia trabalha com o mercado europeu há 30 anos e continua exportando normalmente, atendendo a todos os requisitos necessários”, disse a empresa. O Sistema de Inspeção Federal da unidade não foi suspenso.

A companhia disse ainda que recebeu em outubro a informação do Ministério da Agricultura sobre a suspensão da certificadora, responsável por garantir a documentação, e da fazenda. A JBS afirmou também que deixou de exportar carne de animais desse fornecedor para a Europa.

Procurado pelo Valor, o Ministério da Agricultura não respondeu a pedidos de comentários. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) não comentou o assunto.

Mais de dez países afetados
Áustria, Bélgica, Chipre, Croácia, República Tcheca, Alemanha, Grécia, Itália, Holanda e Eslováquia estão entre os países da UE afetados pelo recall. O Reino Unido (incluindo a Irlanda do Norte) é outro dos mercados afetados, segundo a emissora estatal irlandesa RTÉ.

A Associação de Agricultores Irlandeses (IFA, na sigla em inglês) afirmou à RTÉ que o recall levanta questões sobre os controles sanitários do Brasil. O presidente da entidade, Francie Gorman, disse que o caso deve servir de alerta aos parlamentares que defendem a aprovação do acordo comercial entre UE e Mercosul. Para ele, o acordo traria benefícios à indústria, em detrimento dos agricultores europeus.

Sem impacto para a saúde
Lygia Pimentel, diretora da consultoria Agrifatto, especializada em pecuária, lembrou que, no ano passado, também houve um debate sobre o estradiol. Ela observou que a carga residual de estradiol em carnes costuma ser ínfima, do ponto de vista de impacto para a saúde, porque o abate ocorre muito após sua aplicação, que acontece com o animal em idade reprodutiva.

Além disso, comentou a especialista, não se trata de um hormônio que estimule o crescimento. A legislação brasileira veta o uso de promotores de crescimento (hormônios) na produção animal.

Fonte: Globo Rural

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