União Europeia mantém Brasil fora da lista dos exportadores
jun, 08, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202624
A Comissão Europeia publicou, no último dia 05, uma atualização da regulamentação que altera as condições para a importação de animais e produtos de origem animal destinados ao consumo humano no bloco. O Brasil permanece fora da lista de países considerados aptos a atender às novas exigências europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.
Segundo o texto, a decisão foi tomada porque a Comissão Europeia afirma não ter recebido informações suficientes que garantam que o Brasil implementará, até 3 de setembro de 2026, as medidas necessárias para cumprir as exigências previstas na legislação europeia.
As regras proíbem o uso de determinados antibióticos considerados essenciais para a saúde humana e restringem a utilização de medicamentos antimicrobianos para promoção de crescimento ou aumento de produtividade em animais destinados à produção de alimentos.
A exclusão afeta categorias relevantes para as exportações brasileiras ao mercado europeu, incluindo bovinos, equinos, aves, produtos de aquicultura, mel e tripas animais. Até então, o Brasil figurava na lista de países autorizados para esses segmentos.
A medida faz parte dos esforços da União Europeia para combater a resistência antimicrobiana, considerada uma das principais ameaças globais à saúde pública. O bloco exige garantias de que práticas proibidas dentro da UE também não sejam utilizadas na produção destinada ao mercado europeu.
A nova regulamentação também amplia a lista de países autorizados a exportar determinados produtos para a União Europeia. Índia, Indonésia, Quênia, Nigéria, Sérvia, Tunísia, Tanzânia e Uganda passaram a integrar a relação após apresentarem documentação considerada suficiente pelas autoridades europeias.
Apesar da retirada do Brasil da lista, a regulamentação não representa um embargo imediato às exportações. As novas disposições entrarão em vigor em 3 de setembro de 2026. Até lá, autoridades brasileiras e europeias ainda podem manter negociações e apresentar informações adicionais para demonstrar conformidade com as exigências sanitárias do bloco.
Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil exportou 2722 TEUs (+28% a/a) de carne bovina para os países da União Europeia. Confira a seguir os volumes mensais de exportação segundo dados da plataforma DataLiner.
Exportação de Carne Bovina | Jan 2023 – Abr 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Negociações continuam
Nas últimas semanas, representantes do governo brasileiro intensificaram as negociações com Bruxelas em busca de uma solução. O principal foco das discussões tem sido a carne bovina, embora também existam preocupações envolvendo aves, aquicultura e mel.
Como parte dessa estratégia, o Ministério da Agricultura apresentou recentemente um protocolo privado de certificação para bovinos livres de antimicrobianos. O sistema prevê o acompanhamento dos animais desde o nascimento até o abate, com o objetivo de comprovar que não houve utilização dos medicamentos proibidos pela legislação europeia.
O governo brasileiro também buscou negociar um período de adaptação que permitisse comprovar inicialmente o não uso dos medicamentos apenas nos meses finais da vida dos animais, avançando gradualmente para um sistema integral de rastreabilidade. A proposta, porém, não encontrou apoio entre os europeus.
Fonte: CNN Brasil
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