Portos apostam em scanner, drones e IA e no combate a tráfico de drogas

ago, 27, 2026 Postado porSylvia Schandert

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O avanço das novas rotas do tráfico de drogas pela região costeira do Brasil acende alerta em operadores portuários e leva terminais a investir em inteligência artificial, comprar drones submarinos e até a reduzir o uso de contêineres em remessas de frutas ao exterior.

Pelo menos sete portos afirmaram ter tomado medidas para combater a exportação de entorpecentes. As medidas vêm na esteira de mudanças na dinâmica do tráfico internacional diante do aperto na fiscalização do porto de Santos.

As apreensões de cocaína nos portos brasileiros vêm caindo nos últimos anos, segundo dados do Ministério da Justiça. Em 2021, foram 46 toneladas de cocaína confiscadas em portos, embarcações e rios de todo o país. Em 2025, a quantidade somou 15 toneladas.

A retração das apreensões pode estar ligada à diversificação de estratégias criminosas, conforme investigadores. Um dos padrões é de remessas menores, mais difíceis de serem detectadas, em vez de mandar centenas de quilos ou toneladas de droga de uma só vez – neste caso, o prejuízo de uma eventual apreensão seria muito maior. Outra mudança é o uso de outros tipos de embarcação, como pesqueiros e veleiros.

A Receita Federal disse que não divulga terminais considerados prioritários para a fiscalização. Além de ser uma informação sensível, afirmou, “organizações criminosas podem alterar simultaneamente portos de origem, escalas marítimas, destinos, cargas utilizadas, métodos de ocultação e formas de acesso aos contêineres”.

O porto de Paranaguá (PR), o maior da região Sul, disse que o terminal de contêineres “é o mais visado pelos narcotraficantes”, mas que ações adotadas de 2019 a 2025 reduziram em 85% as apreensões no local – entre elas estão o uso de cães farejadores e sistema de monitoramento contínuo.

O terminal é uma das rotas mais antigas do tráfico internacional, que hoje avança também por Santa Catarina.

Foi o que levou o porto de Imbituba (SC) a comprar um drone subaquático para ampliar o monitoramento. Operado remotamente, o equipamento auxilia a PF em buscas ou varreduras nos cascos de navios a fim de identificar potenciais ilícitos ocultos nas áreas submersas das embarcações.

A aposta em novas tecnologias se dá também para o porto de Navegantes (SC). A Portonave, operadora privada do terminal, disse ter comprado dois scanners com recursos de inteligência artificial por cerca de R$ 25 milhões.

Em Itajaí (SC), a autarquia que administra o terminal afirmou ter adquirido nos últimos anos “veículos operacionais, drones, lanchas de patrulha, armamentos e coletes balísticos” e implementado “sistemas de inteligência dedicados”. Outras iniciativas envolvem cursos de mergulho e varredura em cascos de navios.

Já as rotas no Norte e no Nordeste preocupam investigadores não só pela menor estrutura dos portos regionais, mas também pelas condições das regiões onde estão instalados – as localidades enfrentam avanço de facções criminosas que disputam territórios entre si.

No caso de Natal, a autarquia que administra o terminal local disse ter reduzido a exportação de frutas por contêineres. As remessas agora se dão predominantemente por paletes.

Em Pernambuco, o porto de Suape disse acompanhar “com especial atenção” a nova dinâmica do crime organizado, “particularmente diante de ocorrências e movimentações identificadas nos portos do Nordeste”.

Não é diferente para Fortaleza. A Companhia Docas do Ceará declarou manter “rigorosos protocolos de controle de acesso, monitoramento e atuação integrada com os órgãos de segurança pública” e vem ampliando investimentos em segurança.

Fonte: Valor Econômico

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