EUA avaliam retirar sanções de alguns navios da frota paralela para reduzir fretes, diz autoridade
out, 16, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202642
O governo Trump está considerando suspender as sanções contra alguns navios da chamada frota paralela que transportaram petróleo e derivados de países como Rússia, Irã e Venezuela, em uma tentativa de reduzir as tarifas globais de frete, que atingiram níveis recordes, afirmou uma autoridade dos Estados Unidos na quarta-feira (14).
As discussões ocorrem dias depois de o presidente Donald Trump suspender temporariamente as sanções ao diesel russo, medida que provocou uma enxurrada de críticas do presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, de países europeus e de alguns senadores republicanos, integrantes do mesmo partido de Trump.
Tanto Zelenskiy quanto os senadores americanos classificaram a medida como um presente ao presidente russo, Vladimir Putin, que proporcionaria à Rússia receitas para continuar financiando sua guerra na Ucrânia.
As novas discussões se concentram na possibilidade de os Estados Unidos permitirem o transporte de “petróleo legal” em navios anteriormente sancionados, disse a autoridade americana. Isso significa petróleo bruto ou derivados não sujeitos a sanções de Washington, em vez de petróleo russo e iraniano, que estão sob medidas punitivas.
O objetivo é ampliar o escoamento de derivados e petróleo bruto do Golfo, afirmou a autoridade.
As empresas interessadas em comprar os navios sancionados teriam de solicitar ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos a aprovação das transações, acrescentou.
Uma autoridade do Departamento do Tesouro disse à Reuters que o órgão realiza uma “análise minuciosa antes de retirar as sanções contra qualquer entidade”. Se compradores legítimos quiserem adquirir os navios e recuperá-los para uso no transporte marítimo comercial global, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro “poderá considerar a autorização dessas transações e a retirada das sanções contra esses navios, caso a caso”, afirmou.
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, disse em um vídeo apresentado nesta semana ao Congresso Mundial do Petróleo, em Riad, que o governo discutia flexibilizar as sanções contra navios da frota paralela para reduzir os fretes recordes que vêm prejudicando a demanda pelo petróleo americano, segundo a consultoria Energy Aspects.
Trechos das declarações foram divulgados nas redes sociais, mas a Reuters não conseguiu obter o vídeo completo nem uma transcrição. O Departamento de Energia informou que o material não estava disponível.
O Departamento de Energia afirmou que qualquer medida de alívio das sanções contra a frota paralela não ajudaria a Rússia a transportar petróleo ou derivados.
No entanto, o esforço de Trump para levar rapidamente o diesel russo aos mercados globais poderia pressionar os departamentos a permitir o transporte por esses navios.
A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Os preços elevados do petróleo e dos combustíveis representam um risco para Trump nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro, nas quais os republicanos esperam manter o controle das duas casas do Congresso. Ele suspendeu as sanções ao diesel russo até 7 de abril.
NÍVEIS RECORDES
Os fretes de navios-tanque dispararam para níveis recordes, à medida que as guerras no Irã e na Ucrânia alimentaram a inflação e tornaram o petróleo americano caro demais para as refinarias asiáticas, levando-as a buscar alternativas no Oriente Médio e na América Latina.
A Energy Aspects afirmou, em nota a clientes, que a flexibilização das sanções contra a frota paralela não teria grande impacto sobre os fretes, mas poderia permitir uma maior movimentação de petróleo no Oriente Médio.
A retirada das sanções contra os navios-tanque, em sua maioria antigos e com manutenção precária, “dificilmente acrescentará capacidade significativa à frota convencional de um dia para o outro, especialmente porque a maioria dos navios-tanque sancionados por vínculos com a Rússia ou a Venezuela esteve operando ativamente nos últimos três meses”, afirmou a consultoria na nota.
A flexibilização das restrições “poderia disponibilizar um pequeno número de navios-tanque adicionais para determinadas operações de transporte de ida e volta pelo Estreito de Hormuz”, passagem marítima entre o Irã e Omã.
É improvável que a retirada das medidas resulte em uma redução generalizada dos fretes, já que as seguradoras de navios continuarão sujeitas às regulamentações da União Europeia e do Reino Unido, disseram fontes do setor marítimo.
Fonte: Reuters
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