Abemel vê decisão da UE com preocupação, mas descarta grande impacto para o setor
maio, 14, 2026 Postado porGabriel MalheirosSemana202620
Assim como outros segmentos do agronegócio brasileiro, o setor apícola também foi surpreendido pelo veto da União Europeia aos produtos de origem animal, anunciado na manhã de terça-feira (13). Para o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, as exigências impostas pelo bloco têm mais caráter político do que técnico.
“O Brasil é o principal produtor de mel orgânico do mundo. Então, quando se fala em uso de antibiótico no mel brasileiro, isso soa quase incoerente”, afirma Azevedo.
Segundo ele, a Abemel pode recorrer a certificações que comprovam a ausência de resíduos de antibióticos no produto. Ainda assim, o presidente destaca que a exigência tende a elevar os custos do setor, o que preocupa exportadores.
UE era alternativa ao mercado americano
Apesar de acreditar em soluções técnicas para reverter o cenário e de a União Europeia não representar a maior fatia das exportações brasileiras de mel, Azevedo afirma que a decisão frustrou os planos do setor. Isso porque o bloco europeu vinha sendo visto como alternativa diante das medidas tarifárias adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Com toda essa questão do tarifaço, estamos buscando novos mercados, e a União Europeia era a primeira opção. Existe uma cultura de negociação mais próxima da nossa e as conversas fluem melhor, então esse era o nosso principal destino neste momento”, explica.
De acordo com Azevedo, alguns exportadores já embarcam mel para a Europa e agora aguardam definições sobre o tema.
“A medida só passa a valer a partir de setembro, mas alguns exportadores já nos disseram que pretendem antecipar os embarques para que os produtos cheguem à União Europeia antes disso”, comenta.
Para os demais embarques, a orientação tem sido aguardar o desenrolar das negociações. “Quando olhamos o cenário global, pode parecer pouco. Mas, individualmente, para cada entreposto e exportador, esse mercado é muito relevante. Precisamos reabri-lo”, afirma.
Setor relembra embargo de 2006
Azevedo recorda que o setor enfrentou uma situação semelhante em 2006, quando a União Europeia suspendeu as importações de mel brasileiro por dois anos devido à falta de controle sobre resíduos biológicos.
“Neste caso, entendemos que temos todos os elementos técnicos para comprovar a qualidade e a conformidade do produto. Esse é o principal ponto que precisa ser trabalhado agora”, avalia.
Segundo o presidente da Abemel, o setor também observa influência do acordo entre Mercosul e União Europeia sobre o atual cenário.
“O agro brasileiro tem escala, produtividade e competitividade maiores, o que permite oferecer produtos de qualidade com preços mais baixos. Existe uma pressão muito forte do setor europeu por causa disso”, afirma.
Para ele, o bloco europeu pode estar utilizando barreiras não tarifárias como forma de proteção de mercado.
“Depois da assinatura do acordo com o Mercosul, entendemos que algumas dessas medidas acabam funcionando como barreiras comerciais indiretas. Não é uma tarifa propriamente dita, mas cria dificuldades para a entrada dos produtos”, comenta.
Azevedo também destaca a instabilidade enfrentada pelos exportadores brasileiros em seus dois principais parceiros comerciais. “De um lado, temos os Estados Unidos, com toda a incerteza em torno das tarifas de Donald Trump. Do outro, a União Europeia vivendo esse cenário agora”, diz.
Confira a seguir a concentração dos principais países que compraram o mel brasileiro no 1º trimestre do ano, segundo dados da Datamar:
Principais Destinos da Exportações de Mel | 1º tri 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Negociações com o governo
O presidente da Abemel afirma que a entidade está em contato com o Ministério da Agricultura e com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para acompanhar as negociações. “Nos colocamos à disposição para colaborar no que for necessário, mas entendemos que este é um momento de diálogo entre o Ministério da Agricultura, o Itamaraty e as autoridades europeias”, conclui.
Fonte: Globo Rural
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