Assoreamento afeta operações no complexo portuário Itajaí-Navegantes
ago, 25, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202635
O Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave) alerta que as condições do canal de navegação do complexo portuário Itajaí-Navegantes, em Santa Catarina, vêm se agravando devido ao assoreamento do Rio Itajaí-Açu. Segundo a entidade, o problema se intensificou desde novembro de 2025, quando a Delegacia da Capitania dos Portos em Itajaí já alertava para a desatualização da batimetria, medição que determina a profundidade do canal.
O diretor-executivo do Centronave, Fábio Lavor, afirmou que a dragagem de manutenção foi interrompida em 15 de fevereiro de 2026. Embora os trabalhos tenham sido retomados pontualmente, não teriam alcançado a eficácia necessária.
Como medida de segurança, a Autoridade Marítima reduziu sucessivamente a folga abaixo da quilha — distância entre o ponto mais baixo do casco e o fundo do canal. Foram 30 centímetros em abril e outros 50 centímetros em agosto, totalizando uma restrição de 80 centímetros na bacia de evolução.
Com isso, os navios precisam operar abaixo de sua capacidade. Segundo Lavor, cada centímetro de redução de calado representa aproximadamente quatro contêineres refrigerados que deixam de ser embarcados. Recentemente, uma embarcação precisou reduzir seu calado de 12,70 para 12,50 metros, deixando no cais cerca de 2,4 mil toneladas de carga refrigerada destinada à exportação.
As restrições diminuem a quantidade de carga transportada por embarcação, reduzem a eficiência operacional e aumentam a pressão sobre outros portos. Também podem provocar omissões de escala, elevação dos fretes, sobrecarga dos terminais e custos adicionais para os usuários e o comércio exterior.
Para o Centronave, a medida mais urgente é realizar uma dragagem eficaz do canal de acesso, acompanhada de uma batimetria atualizada. O objetivo é recuperar as condições de navegação e permitir que os navios operem com maior capacidade e segurança.
Entidades empresariais estimam que as restrições de calado possam reduzir em até 30% a movimentação de cargas no complexo, caso a situação persista. Em um manifesto enviado à Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba), gestora do Porto de Itajaí, e à Superintendência do Porto de Itajaí (SPI), as entidades solicitaram a dragagem urgente do canal de acesso.
A diretora-executiva da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Gabriela Costa, afirmou que o assoreamento é um problema recorrente. Segundo ela, episódios de restrição vêm gerando impactos e incertezas para as operações, tornando necessária uma solução estrutural e permanente para a manutenção da infraestrutura.
Dragagem e recuperação do Molhe Sul
A Codeba realizará, em 3 de setembro, a licitação para a reconstrução e recuperação do Molhe Sul, localizado na foz do Rio Itajaí-Açu, junto à Praia da Atalaia. Para o Centronave, embora relevante, a obra não resolve sozinha o principal gargalo operacional do complexo, localizado no canal externo, conforme estudo técnico apresentado à companhia em julho.
A SPI informou que a draga hopper Utrecht iniciou os trabalhos de retirada dos sedimentos. A campanha deverá durar entre sete e dez dias, dependendo das condições hidrológicas e meteorológicas e do volume efetivamente dragado.
Após a dragagem, serão realizados levantamentos hidrográficos para avaliar os resultados e subsidiar uma eventual revisão dos parâmetros operacionais. A recuperação integral das profundidades somente poderá ser confirmada após a conclusão dos serviços e a validação das novas batimetrias.
Segundo a SPI, o canal permanece navegável e as operações seguem os parâmetros de segurança definidos pela Autoridade Marítima. A administração atribui as restrições de calado às condições hidrológicas e aos efeitos do El Niño, que aumentaram a vazão do Rio Itajaí-Açu e o aporte de sedimentos.
A superintendência também afirma que os canais e as bacias de evolução estão dentro das metas de profundidade. De acordo com o órgão, a restrição atual decorre da dificuldade técnica para realizar a batimetria devido à elevada concentração de materiais em suspensão.
Concessão do canal de acesso
O edital para a concessão do canal de navegação do Porto de Itajaí à iniciativa privada poderá ser publicado ainda em 2026, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). O processo está na fase final de análise técnica e jurídica na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e deverá ser submetido à diretoria colegiada da agência em setembro.
Após essa deliberação, poderá ocorrer a publicação do edital. A expectativa do MPor é realizar o leilão ainda em 2026, depois da conclusão das etapas técnicas, regulatórias e processuais.
O projeto integra a política federal de concessão dos canais de acesso portuário, iniciada com o Porto de Paranaguá. O modelo busca ampliar a previsibilidade na manutenção da infraestrutura aquaviária e garantir investimentos contínuos em dragagem, sinalização náutica, monitoramento do tráfego de embarcações e gestão do acesso.
A Antaq informou que analisa a conformidade jurídica, a consistência técnica e a adequação do edital às diretrizes regulatórias. Segundo a agência, a proposta não precisará retornar ao MPor, que já autorizou o prosseguimento do processo após a revisão dos estudos e a deliberação do Tribunal de Contas da União (TCU).
Fonte: A Tribuna
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