Importação de trigo deve ser recorde em 2026
abr, 27, 2026 Postado porSylvia SchandertSemana202618
O Brasil é historicamente dependente da importação de trigo e, neste ano, terá de recorrer ainda mais ao cereal do exterior. Uma das principais razões é a forte queda na produção nacional. Como resultado, o país deverá importar o maior volume de trigo de sua história, segundo especialistas.
A consultoria Safras & Mercado estima importação de 8,2 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, superando o recorde de 7,1 milhões de toneladas registrado em 2006/07. A TF Consultoria Agroeconômica também prevê volume recorde, entre 6,7 milhões e 8 milhões de toneladas.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira deve recuar 16% na atual temporada, para 6,6 milhões de toneladas — bem abaixo da demanda estimada em 13,3 milhões de toneladas destinadas à moagem.
A combinação entre menor oferta interna e demanda aquecida amplia a dependência do trigo estrangeiro. “O Brasil é estruturalmente um importador de trigo”, afirma o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento. “Se produzimos menos, precisamos importar mais”, acrescenta.
O recuo na produção resulta de fatores como problemas climáticos, custos elevados e desestímulo ao produtor. “O setor agrícola está endividado, e o trigo perdeu competitividade com a queda dos preços internacionais, o que desestimula o plantio”, afirma Bento.
Em 2025, os contratos futuros de trigo recuaram na bolsa de Chicago durante boa parte do ano. Em 2026, há recuperação, com alta de quase 19%, segundo o Valor Data.
Para Eduardo Bulgarelli, diretor de trading da Bunge, o aumento das importações segue uma lógica de mercado. “É um movimento natural, especialmente na entressafra, quando a disponibilidade doméstica é mais restrita. O trigo importado ganha relevância para garantir o abastecimento até a entrada da nova safra”, diz.
Segundo ele, os custos de produção também pressionam o cenário. “O aumento dos custos, especialmente de fertilizantes, reduz as margens do produtor e pode levar à diminuição da área plantada e do investimento em tecnologia, impactando volume e qualidade”, afirma.
A capacidade de estocagem das moageiras é limitada. “Os moinhos trabalham com estoques para cerca de um mês, então precisam importar continuamente”, explica Rubens Barbosa, presidente da Abitrigo.
A Argentina segue como principal origem do trigo importado pelo Brasil, favorecida pela proximidade, pela isenção de impostos no Mercosul e pelos menores custos logísticos. “Só deixaria de ser fornecedora principal em situações muito específicas”, afirma Bento.
Dados de movimentação de contêineres obtidos e processados pela Datamar mostram que as exportações de trigo da Argentina alcançaram 80 TEUs nos primeiros dois meses do ano. Confira a seguir as principais tendências de exportação do setor:
Exportação de Trigo | Argentina | Jan 2023 – Fev 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Nesta temporada, porém, a qualidade do trigo argentino preocupa. “O produto não atende plenamente às exigências da indústria brasileira, especialmente em proteína”, diz. Apesar de uma safra volumosa, de cerca de 27,8 milhões de toneladas, a qualidade não atende integralmente às necessidades do Brasil, levando moinhos a buscar alternativas, inclusive no Hemisfério Norte.
O trigo de outras origens tem custo maior, devido à tarifa de 10% para importações acima de 750 mil toneladas.
Segundo Luiz Pacheco, da T&F Consultoria, a qualidade do trigo argentino tem travado o mercado. “Grande parte da produção é de qualidade inferior, com cerca de 10,5% de proteína, enquanto o Brasil exige no mínimo 11,5%”, afirma.
Outra preocupação é a guerra no Oriente Médio, que pode impactar a nova safra argentina. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires reduziu a projeção de área plantada para 6,5 milhões de hectares na temporada 2026/27, 3% abaixo da anterior, em razão do aumento dos custos de fertilizantes.
Segundo Rubens Barbosa, isso pode exigir compras adicionais de 1 milhão a 1,5 milhão de toneladas de outras origens, ampliando a participação de países como Estados Unidos, Canadá e Rússia, além de manter Paraguai e Uruguai relevantes.
Para os próximos meses, a avaliação é de um cenário desafiador. Até a entrada da nova safra argentina, o Brasil deverá depender mais de fornecedores do Hemisfério Norte para garantir qualidade e abastecimento.
Fonte: Valor Econômico
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